Missão InVADER ajudará futuras explorações oceânicas em busca de vida alienígena

Por Daniele Cavalcante | 10 de Agosto de 2019 às 13h30
D. Kelley, University of Washington

Os cientistas têm cada vez mais buscado maneiras de detectarmos vida fora da Terra — isto é, caso a vida tenha mesmo florescido em outros lugares além do nosso planeta. Alguns bons exemplos disso são duas luas de Júpiter e Saturno, respectivamente: Europa, que possui água salgada, e Encélado, que jorra água por meio de fendas na superfície, ambos tendo oceanos líquidos abaixo de suas crostas congeladas. Mas como estudar da melhor forma os oceanos desses e de outros mundos na busca por algum tipo de vida? Como se preparar para o que podemos encontrar por lá? E como saber exatamente onde e o que procurar?

Isso é o que a Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI) quer responder. Eles conseguiram uma concessão da NASA para o financiamento de um novo projeto chamado In-situ Vent Analysis Divebot for Exobiology Research (InVADER), e a ideia deles é estudar aberturas no fundo do mar na Terra para, assim, preparar a ciência para o dia em que enviarmos uma sonda com o objetivo de explorar oceanos alienígenas e suas próprias fontes hidrotermais.

Isso porque no fundo dos oceanos encontramos uma incrível fonte de pesquisa sobre a vida — ao menos em nosso planeta; afinal, foi lá onde a vida por aqui começou, em primeiro lugar. Isso ocorre principalmente perto de aberturas hidrotermais, que são fissuras no fundo do mar de onde sai água aquecida geotermicamente. Essas rachaduras liberam calor e substâncias químicas, que alimentam áreas de biozonas, bem longe da luz solar.

Assim, o InVADER planeja explorar uma abertura hidrotérmica chamada Axial, que é um vulcão submarino ativo a mais ou menos 1,6 km abaixo da superfície, esperando que as descobertas possam ajudar cientistas que realizarem missões semelhantes em oceanos alienígenas, como os de Europa e Encélado.

Uma caldeira vulcânica no Monte Seamount Axial. Foto: Reprodução/UWtv

A missão InVADER terá três objetivos principais. O primeiro é tentar entender melhor a geologia do Axial, bem como a química e a biologia em torno da abertura hidrotérmica. Compreendendo melhor as aberturas nas profundezas do oceano, os cientistas esperam que o conhecimento ajude as missões em oceanos de outros planetas, quando elas se tornarem realidade — e isso não está muito longe de acontecer: em 2023, a NASA pretende lançar a missão Europa Clipper rumo à lua joviana, justamente com o objetivo de investigar, de perto, seu misterioso oceano subterrâneo.

Já o segundo objetivo é praticar operações, testando diferentes formas de exploração. Eles vão usar lasers para analisar os materiais que encontrarem e diferentes estratégias para coletar e analisar dados. Também poderão tirar fotos e fornecer mapeamento 3D do ambiente para que os pesquisadores possam entender melhor as leituras que o robô submarino vai enviar.

Por fim, o último objetivo é uma demonstração de tecnologia. A equipe quer provar que o InVADER pode realmente realizar tarefas mesmo em condições extremas, como é o caso dos mares profundos, em especial provando a viabilidade da coleta de amostras, trazendo-as de volta ao laboratório. O InVADER ficará no local de pesquisa subaquática durante um ano inteiro, fazendo suas medições diárias e retornando com amostras de rochas e água coletadas.

“O InVADER reúne uma equipe excepcionalmente qualificada de cientistas, engenheiros e estudantes seniores e juniores, incluindo estagiários da faculdade”, disse Pablo Sobron, físico do SETI. “A equipe alavancará os investimentos da NASA e da National Science Foundation [...] para novos avanços tecnológicos que melhorarão nossa compreensão científica dos oceanos na Terra e além".

Fonte: InVADER, SETI

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