Meteoro de US$ 5 trilhões abre debate sobre exploração espacial

Por Redação | 27 de Julho de 2015 às 11h10

Não é raro vermos notícias de que um meteoro ou asteroide vai passar próximo à Terra. A grande maioria deles passa a uma distância bem segura de nós, enquanto aqueles que acabam entrando em nossa órbita são destruídos por conta do atrito com a atmosfera. No entanto, você sabe exatamente o quanto vale cada um desses corpos celestes?

Apenas para você ter uma ideia, no último dia 19 de julho o meteoro 2011 UW158 cortou o espaço a uma distância relativamente próxima do nosso planeta. Com uma dimensão considerável de 452 metros de largura e pouco mais de um quilometro de comprimento, ele chama a atenção não apenas pelo seu tamanho exagerado, mas por ser feito de aproximadamente 90 milhões de toneladas de platina, ouro e mais alguns outros minerais mais raros — e igualmente caros.

Impressionante, não é mesmo? Pois essa pequena monstruosidade não é apenas grande, mas também muito valiosa. Estima-se que o valor total desse meteoro seja de "apenas" US$ 5 trilhões (cerca de R$ 16,8 trilhões na cotação atual), quase o produto interno bruto do Japão e certamente maior do que PIB de vários outros países.

Com tanto dinheiro voando sobre nossas cabeças, é natural que tenha muita gente de olho no céu à espera de outra oportunidade. De acordo com cálculos de astrônomos, acredita-se que o 2011 UW158 vá passar próximo à Terra mais uma vez em 2018 e, por isso, algumas companhias já começaram a se movimentar para encontrar uma maneira de explorar essa mina de dinheiro espacial que está dando sopa pelo cosmos.

Como o site Update or Die relembra, há um tratado de 1967 que determina que nenhum país pode tomar um corpo celeste para si. No entanto, há uma brecha nesse acordo no que diz respeito às empresas e há um bom número de companhias que estão interessadas em ir aonde nenhum outro executivo jamais esteve para obter dinheiro.

A Planetary Resources é uma dessas organizações que está planejando retirar um pouco dos recursos do meteoro. Financiada por alguns grandes nomes do mundo da tecnologia, como Larry Page e Eric Schmidt, da Google, e Richard Branson, da Virgin, ela até divulgou um pequeno vídeo explicando um pouco do processo e dos benefícios desse tipo de atividade.

É claro que a explicação é bem bonitinha e se baseia na justificativa de ajudar a colonização espacial. De acordo com a apresentação, a ideia é encontrar maneiras de produzir combustível com base nos recursos obtidos no próprio espaço para alimentar naves. Com isso, em tese, poderíamos ir a qualquer ponto do universo, uma vez que o maior consumo de combustível está exatamente para sair da órbita da Terra e é isso que nos impede de fazer viagens maiores por entre as estrelas.

Segundo a Planetary Resources, boa parte dos foguetes utiliza um combustível feito a base de hidrogênio e oxigênio, que podem ser facilmente obtidos a partir da água. Assim, a ideia é extrair esses elementos dos asteroides — que, "coincidentemente", também têm uma série de outros metais preciosos em sua composição.

Assim, por mais que a explicação sobre a obtenção de recursos para impulsionar a exploração espacial realmente faça muito sentido e tenha realmente uma série de vantagens que acabariam com as barreiras que nos impedem de colonizar de maneira efetiva outros planetas, não há como negar a polêmica relacionada à obtenção desses materiais, como a platina e o ouro.

É claro que companhias como a Planetary Resources não estão apenas querendo enviar a humanidade às estrelas por puro altruísmo ou por acreditar que o nosso futuro é no espaço e não há como negar que esse tipo de atividade pode trazer grandes impactos à economia global. Por outro lado, o ponto destacado em termos de avanço tecnológico e de possibilidades também é algo que deve ser levado em conta.

Assim, antes que nos empolguemos com a possibilidade de passar as férias em Marte ou mesmo de dizermos que é um absurdo explorar um meteoro, há uma série de questões que devem ser levadas em conta e que certamente ainda vão render muitas discussões em um futuro não tão distante.

Via: Update or Die, Planetary Resources (YouTube)

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