Máquina aprende e recria experimento ganhador do Prêmio Nobel

Por Redação | 16.05.2016 às 20:38
photo_camera Reprodução/Tech Crunch

Físicos australianos criaram um sistema de inteligência artificial que pode executar e até melhorar um experimento complexo de física com pouca supervisão. O invento pode até mesmo permitir que cientistas foquem em problemas difíceis e em design de pesquisa, enquanto deixam a parte mais complicada para um assistente robótico de laboratório.

O experimento foi executado foi a criação de um condensado Bose-Einstein, um gás ultra frio, processo pelo qual três físicos ganharam o Prêmio Nobel em 2001. Isso envolve o uso de radiação direcionada para diminuir a velocidade de um grupo de átomos até ficarem próximos à inércia, produzindo diversos efeitos interessantes.

A equipe da Universidade Nacional Australiana gelou um pouco de gás a um microkelvin (1000º abaixo de zero) que foi dado ao controle da inteligência artificial. A máquina então tinha que descobrir como aplicar o laser e controlar outros parâmetros para esfriar da melhor maneira os átomos até algumas centenas de nanokelvins. A cada repetição do processo, a IA encontrava maneiras mais eficientes de executar o procedimento.

Um dos pesquisadores do projeto, Paul Wigley, disse que a máquina fez coisas que ninguém imaginava, como mudar o poder do laser para mais e menos. "Eu não esperava que a máquina podia aprender a fazer o experimento do início em menos de uma hora. Ele pode ser capaz de encontrar maneiras complicadas que humanos não foram capaz de pensar", disse ele.

Os condensados Bose-Einstein têm propriedades estranhas e maravilhosas, com sua sensitividade extrema a flutuações em energia, o que o torna útil para outros experimentos. Porém, a mesma sensitividade faz com que o processo de criar e manter a criação seja difícil. O IA monitora muitos parâmetros de uma vez e pode ajustar o processo rapidamente em maneiras que humanos não entendem, mas que mesmo assim são efetivas. O resultado é que os condensados são criados mais rapidamente, em melhores condições e maiores quantidades. Sem mencionar que o IA não come, dorme ou tira férias.

Como a inteligência artificial é extremamente específica em seu design, ele não pode ser aplicado em outros problemas. A pesquisa da equipe foi publicada nesta segunda-feira (16) no periódico Scientific Reports.