Há 52 anos, Valentina Tereshkova se tornava a primeira mulher a ir para o espaço

Por Redação | 16 de Junho de 2015 às 09h53
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O programa espacial da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi responsável por levar o primeiro homem ao espaço, o cosmonauta Iuri Gagarin, a bordo do Sputnik em 12 de abril de 1961.

Apenas dois anos depois, em 16 de junho de 1963, os soviéticos também foram responsáveis pela primeira viagem de uma mulher ao espaço: a operária da indústria têxtil Valentina Tereshkova, a bordo da Vostok VI.

Com apenas 26 anos de idade, Tereshkova foi a escolhida para ser a primeira mulher a ir ao espaço em um voo solo. A paraquedista não tinha formação universitária, mas se encaixava perfeitamente no perfil exigido pela agência espacial russa — idade inferior a 30 anos, menos de 1,70 m de altura, pensando menos de 70 kg, saúde em dia, experiência de pelo menos seis meses com paraquedismo e, ainda, afinidade ideológica com o Partido Comunista.

O processo todo foi iniciado de forma totalmente secreta, reunindo inicialmente cinco mil candidatas para a viagem a bordo da nave Vostok VI. Ao final, apenas cinco haviam sido aceitas como cosmonautas: duas engenheiras, uma professora e uma tipógrafa além de Valentina Tereshkova, uma operária de fábrica que, por sua experiência prévia em paraquedismo, foi responsável pela criação do Clube de Paraquedismo Amador em seu local de trabalho.

Da fábrica para o espaço

Filha de um piloto de trator e de uma operária da indústria têxtil, Tereshkova passou por um longo treinamento de sete meses para ser a escolhida e, enfim, ir ao espaço. Ao lado dela, a última “finalista” desse processo seletivo foi a engenheira Valentina Ponomaryova, pois a ideia inicial era enviar duas mulheres ao espaço, o que não acabou acontecendo.

Valentina Tereshkova

Valentina Tereshkova: a primeira mulher a viajar para o espaço. (Foto: Roscosmos)

A escolha por Tereshkova se deu diretamente por Nikita Krushev, então presidente da União Soviética e líder máximo do Partido Comunista do país. Apesar de Ponomaryova ter se saído bem em inúmeros testes físicos, contou pontos para Tereshkova a sua atuação como líder da União da Juventude Comunista da URSS e também sua experiência com paraquedismo — a piloto seria ejetada assim que a nave fizesse a reentrada e pousaria com a ajuda de um paraquedas pessoal.

No dia 16 de junho de 1963, Valentina partia com a Vostok VI de Baikonur e entrava para a história como a primeira mulher a ir ao espaço. Ela permaneceu em órbita por quase três dias, totalizando 71 horas de voo espacial, tempo durante o qual ela completou 48 órbitas.

Tensão e glória

O retorno de Tereshkova à Terra esteve cercado de problemas, a começar pela reação física de seu corpo ao espaço. Durante seus quase três dias de órbita, ela foi acometida por náuseas, vômitos, dores na canela direita e desconforto psicológico. Na descida, sua nave perdeu comunicação via rádio com o solo e, ao ejetar após entrar na atmosfera terrestre, esteve próxima de cair em um lago.

Em suas memórias, a cosmonauta relata que temeu por sua vida, pois, se caísse em um lago, não teria condições físicas de nadar até a borda e provavelmente morreria afogada. Mas um forte vento mudou a trajetória do paraquedas e ela pôde aterrissar em terra firme, tendo apenas algumas escoriações no rosto devido ao choque do impacto.

Depois disso, porém, Tereshkova recebeu as duas principais condecorações da URSS, a Herói da União Soviética e a Ordem de Lênin. Em 1969, formou-se em engenharia na Academia Militar da Força Aérea de Zhukovsky e saiu do programa espacial a fim de entrar para a vida política do país euroasiático. Nessa ocasião, ela recebeu uma comissão honorária da Força Aérea Russa e se aposentou como major-general.

Valentina Tereshkova

Iuri Gagarin, Pavel Popovich, Valentina Tereshkova e Nikita Krushev em cerimônia de homenagem à cosmonauta após seu retorno à Terra (Foto:V. Malyshev)

Entre 1966 e 1991, quando a URSS foi dissolvida, Valentina Tereshkova teve grande destaque na vida pública soviética, tornando-se presidente do comitê de mulheres soviéticas e membro do Soviete Supremo, o parlamento do país socialista.

Propaganda soviética

O espaço foi apenas mais um dos palcos em que Estados Unidos e União Soviética se enfrentaram ao longo de toda a Guerra Fria. Assim como aconteceu com as conquistas espaciais e militares dos EUA, enviar uma mulher ao espaço serviu de propaganda da capacidade do programa soviético, já pioneiro em enviar o primeiro homem ao espaço.

Para se ter uma ideia, o tempo que Tereshkova permaneceu em órbita era maior do que o tempo somado de todos os astronautas estadunidenses que haviam ido ao espaço até então. Prova do viés propagandístico da coisa está também na não revelação de problemas técnicos apresentados pela nave até a extinção da URSS.

Fontes: History.com, ABC News, Astronautix

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