Fundador da Intel está financiando pesquisas com aceleradores de partículas

Por Redação | 24 de Novembro de 2015 às 11h36
photo_camera Foto: Reprodução

Os aceleradores de partículas são, hoje, máquinas gigantescas e muito complicadas de se operar, mas o cofundador da Intel deseja mudar isso. A Gordon and Betty Moore Foundation, organização iniciada por Gordon Moore depois que deixou o comando da fabricante de chips, acaba de doar US$ 13,5 milhões para a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, para a construção de equipamentos do tipo que possam caber, no mínimo, em cima de uma mesa. Mas o grande sonho, mesmo, é colocá-los em um chip.

A organização é a líder de um projeto no qual trabalham também um grupo de pesquisadores em medicina e tecnologia não apenas da instituição americana, mas também da Universidade Friedrich-Alexander, na Alemanha. A ideia é utilizar as versões diminutas dos aceleradores de partículas para gerar avanços em áreas médicas, como terapias e diagnóstico de raio-X, além de criar novas tecnologias de segurança por meio do escaneamento de imagens.

Um dos principais desafios, aqui, é reduzir o espaço físico necessário para que as partículas possam ser aceleradas — para se ter uma noção, o Grande Colisor de Hádrons (LHC), um dos equipamentos mais conhecidos do tipo, se estende por 27 km sob a fronteira da França com a Suíça. Uma das propostas, por exemplo, é o uso de um processo que utiliza o plasma para essa finalidade, levando os elétrons a altas cargas em uma distância mais curta. Outra opção, que pode gerar aparatos ainda menores, é o uso de lasers e materiais dielétricos, capazes de transmitir energia, mas sem conduzi-la.

São projetos que já estão em andamento e, inclusive, podem acabar gerando aceleradores que não apenas cabem em cima de uma mesa, mas também que tenham o tamanho de um processador de smartphone, por exemplo. É claro, em ambos os casos, alguns cuidados precisariam ser tomados, principalmente no que toca o isolamento, já que, como apontam os pesquisadores, a radioatividade impediria, por exemplo, que os equipamentos fossem segurados na mão.

Ainda assim, esse parece ser um desafio menor do que o restante, uma vez que, aqui, já existem maneiras de resolvê-lo. Agora, os pesquisadores pretendem utilizar o investimento milionário para encontrar a solução para o resto desse enigma. Mas, como eles mesmos apontam em um comunicado à imprensa, é justamente de solucionar esse tipo de obstáculo que vive a ciência.

Fonte: AFP