Falta de leitos acelerou a COVID-19 no Brasil, segundo estudo

Por Nathan Vieira | 01 de Outubro de 2020 às 15h53
Adhy Savala/Unsplash

É inegável que a pandemia gerou um grande impacto nos hospitais, o que levou à falta de leitos em muitos lugares. No entanto, de acordo com um novo estudo proporcionado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pela startup brasileira Kunumi, essa falta de leitos foi responsável justamente pela aceleração da COVID-19, com direito a uma contribuição de 58% para a taxa de mortalidade no Brasil.

De acordo com o estudo em questão, o Brasil só ficou atrás de outros três em matéria de falta de leitos: Reino Unido (62%), México e Nigéria (ambos com 71%). Apontou-se, ainda, que a disponibilidade de leitos acabou freando a taxa de mortalidade por COVID-19 em outros lugares do mundo, como Alemanha (85%), Nova Zelândia (76%), Austrália (84%), Japão (88%), Egito (15%).

Basicamente, os pesquisadores utilizaram o método Shap (Shapley Additive exPlanation), em que é verificada a contribuição de diferentes jogadores para o sucesso de uma partida. Os valores Shap medem quanto contribui individualmente cada variável em um modelo de aprendizado de máquina para o resultado final. O trabalho reuniu informações da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, mas enfrentou um obstáculo: a ausência de dados, o que acabou comprometendo comparações.

Falta de leitos acelerou a COVID-19 no Brasil, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais e da startup Kunumi (Imagem: Mattthewafflecat/Pixabay)

A pesquisa também levou em consideração a umidade do ar e não apenas a temperatura ambiente para explicar a alta proliferação do vírus, e mostrou que a desigualdade de renda (calculada pelo coeficiente de Gini, muito usada nesse tipo de estatística) revelou alto impacto na velocidade do surto de coronavírus no Brasil e nos EUA.

O estudo traz o seguinte aumento da taxa de mortalidade por COVID-19 por falta de leitos: Brasil 58%, Chile 54%, Equador 58%, França 39%, Bélgica 49%, Canadá 38%, Dinamarca 24%, Espanha 52%, Israel 42%, Índia 47,08%, Irã 34%, Itália 58%, México 71%, Nigéria 71%, Holanda 31%, Peru 50%, Suécia 21%, Reino Unido 62%, África do Sul 42%. Em contrapartida, aponta o quanto a oferta de leitos diminuiu taxa de mortalidade pela doença em questão nos seguintes lugares: Alemanha 85%, Nova Zelândia 76%, Austrália 84%, Japão 88%, China 77,50%, Egito 15%.

Fonte: Kunumi via Tilt

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