Explosão deixa ferido em centro russo onde há amostras de varíola e ebola

Por Claudio Yuge | 17 de Setembro de 2019 às 23h10

Uma explosão seguida de um grande incêndio deixou uma pessoa ferida — e o mundo preocupado — em uma instalação do Centro Estadual de Pesquisa e Virologia e Biotecnologia (Vector) da Rússia. Um trabalhador ficou com queimaduras de terceiro grau e o prédio não sofreu danos estruturais, mas teve seus vidros quebrados.

O episódio chama a atenção porque o Vector é um dos dois únicos lugares oficiais do mundo com amostras vivas dos vírus da varíola, além de conter estoques de outros patógenos mortais, a exemplo do ebola e de esporos de antraz. De acordo com Nikolai Krasnikov, o chefe da cidade científica de Koltsovo, que fica perto de Novosibirsk, onde aconteceu o incidente, o problema aconteceu devido à explosão de um gás na hora da preparação de uma pintura.

O rapaz, não identificado, estaria em estado grave, com muitas queimaduras, na unidade de terapia intensiva. Uma fonte dos serviços de emergência informou às autoridades russas que o algodão que estava em chamas e causou o acidente não continha substâncias nocivas. Krasnikov destacou que nenhuma material biológico foi comprometido e que não há ameaça para a população.

Contudo, em uma segunda atualização, a imprensa estatal RT disse que foi um “grande incidente”, que mobilizou o Ministério de Emergências e 13 caminhões com 38 bombeiros.

Centros que armazenam vírus preocupam cientistas

Embora o estoque seja importante para pesquisas, os centros de pesquisas epidemiológicas costumam preocupar bastante os cientistas e autoridades, principalmente quando há material biológico tão perigoso. 

Em 2004, Antonina Presnyakova, que estudava o ebola no Vector, morreu depois de se espetar com uma agulha que carregava o vírus. O incidente só foi relatado semanas depois à Organização Mundial da Saúde, o que teria comprometido o tratamento e também levanta dúvidas sobre o sigilo e segurança desses acontecimentos.

Amostra de vírus da varíola (Imagem: Fred Murphy/Sylvia Whitfield/CDC)

Já em 2009, no Centro de Controle de Doenças (CDC, em inglês) dos Estados Unidos, pesquisadores em trajes de risco biológico podiam ver luz penetrando em uma câmara de descontaminação, justamente onde um funcionário havia acabado de trabalhar com patógenos mortais.

Para deixar todo mundo ainda mais em alerta, em agosto, um misterioso “acidente” matou pelo menos cinco pessoas durante o que seriam testes em um sistema de propulsão a líquido de foguetes na Rússia — a suspeita é de se tratava de uma experiência nuclear. Embora não seja diretamente relacionado, o timing disso tudo abre questões sobre até que ponto essas estruturas, assim como os procedimentos e a divulgação de tudo, estão sendo feitos de forma segura e transparente.

Fonte: Bulletin of the Atomic ScientistsGizmodo, TAAS  

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