Estrela com atmosfera repleta de oxigênio é descoberta por brasileiros

Por Redação | 11 de Abril de 2016 às 08h03
G. Bacon, ESA, NASA, HubbleSite

Uma equipe de cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), liderada pelo astrônomo Kepler de Souza Oliveira, descobriu a existência de uma estrela que chamou a atenção pelo fato de sua atmosfera ser composta de 99,9% de oxigênio. Além disso, não há qualquer indício da presença de hélio ou hidrogênio, gases comumente encontrados nesses astros.

A estrela, que “mora” na constelação Draco, está localizada a 1.200 anos-luz da Terra e foi chamada de SDSSJ124043.01+671034.68, mas seu apelido - mais fácil de ser lembrado - ficou “Dox”. O astro foi descoberto enquanto os pesquisadores estavam analisando dados capturados pelo SDSS (Sloan Digital Sky Surbey), um projeto internacional cujo objetivo é mapear o universo com o auxílio de um telescópio instalado no estado norte-americano do Novo México.

constelação Draco

A constelação Draco, descoberta pelo cientista grego Ptolomeu no século II (Reprodução: Divulgação)

Assista Agora: Gestor, descubra os 5 problemas que suas concorrentes certamente terão em 2019. Comece 2019 em uma nova realidade.

Dox é uma anã branca e o fato dela ser composta basicamente de oxigênio é surpreendente, já que a maioria das estrelas descobertas pelo Homem possui atmosferas repletas de hidrogênio e hélio. Na nova estrela, o ambiente também apresenta traços de neônio e magnésio. Por esse motivo, Kepler destaca que o corpo celeste desafia os modelos de evolução estelar existentes, que preveem essa mistura como resultado da queima nuclear de carbono.

As anãs brancas são o estágio final da evolução das estrelas que nascem com cerca de 8 a 11 massas solares, dependendo também de suas composições iniciais. Seu brilho é tênue e o porte pequeno, mas sua densidade é extremamente alta. Entre as mais de 32 mil anãs brancas já catalogadas, nenhuma apresenta o mesmo percentual de oxigênio - e Dox certamente tem os níveis mais elevados desse elemento.

Os resultados foram publicados na renomada revista Science, e agora a comunidade científica passará a levantar as mais diversas hipóteses para explicar como a atmosfera da estrela pode ter essa composição tão peculiar.

Fontes: Inovação Tecnológica, Galileu

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.