Estação Espacial Internacional carrega bactérias potencialmente perigosas

Por Redação | 29 de Outubro de 2015 às 08h34

A Estação Espacial Internacional (ISS) está repleta de bactérias e fungos, alguns causadores de doenças graves como tuberculose e lepra. Um novo estudo descobriu evidências de que micro-organismos da pele humana estão espalhados por toda a estação, com potencial de prejudicar os astronautas que estão vivendo temporariamente fora da Terra.

Para minimizar esse problema, a NASA tem como procedimento padrão limpar as cargas que serão transportadas ao espaço, mas o problema maior acaba vindo do próprio corpo dos astronautas, que diariamente liberam micro-organismos existentes em suas peles quando se exercitam, penteiam seus cabelos, se alimentam e quando realizam demais atividades do tipo. Atualmente, a ISS é a morada temporária de seis astronautas por pelo menos seis meses cada.

Neste vídeo publicado no canal do YouTube da NASA, a astronauta Karen Nyberg mostra como faz para lavar seus cabelos no espaço, processo que, ao mesmo tempo que higieniza seus fios, libera micro-organismos no ambiente:

Preocupada com a possibilidade dos astronautas se contaminarem com esses patógenos, a agência espacial dos Estados Unidos pediu para que pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory (JPL) avaliassem o problema. Para realizar a mais extensa busca por bactérias e fungos já feita na ISS, a equipe sequenciou o material genético de amostras recolhidas de um filtro de ar que esteve na Estação Espacial Internacional por 40 meses e voltou à Terra. O resultado revelou que 99,65% das sequências genéticas obtidas nas análises se tratavam de actinobactérias que podem causar graves doenças respiratórias e de pele.

Kasthuri Venkateswaran, microbiologista do JPL, considera a situação “problemática”, uma vez que os astronautas que vivem por longos períodos em microgravidade em contato com esses micro-organismos podem ter seus sistemas imunológicos seriamente comprometidos. Paula Olsiewski, do departamento de microbiologia do Built Environment Program na Fundação Alfred P. Sloan, em Nova Iorque, explica que “lá em cima [no espaço], há um sistema bastante fechado que proporciona uma oportunidade única de concentrar poeira e micróbios em um ambiente”, já que não existe a troca de ar entre um ambiente interno e externo, como acontece aqui na Terra.

No entanto, para Jack Gilbert, especialista em ecologia microbiana do Argonne National Laboratory, nos Estados Unidos, é preciso entender melhor as consequências dessas descobertas antes de tirar conclusões que, ao seu ver, seriam precipitadas. Venkateswaran concorda que os resultados devem ser melhor analisados para garantir que nenhum patógeno perigoso esteja exatamente convivendo com os astronautas na ISS.

Fonte: Science/AAAS News

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