Esta descoberta da NASA pode mudar tudo o que sabemos sobre buracos negros

Por Redação | 19.04.2016 às 07:35

O dia 11 de fevereiro de 2016 foi um dos dias mais importantes na história da astrofísica e talvez o dia mais importante para a ciência desde a descoberta do Bóson de Higgs em 2013. Há aproximadamente dois meses, os cientistas do Observatório de Interferometria de Ondas Gravitacionais (LIGO) detectaram indícios de ondas gravitacionais geradas pela fusão de dois enormes buracos negros, cada um com massa de aproximadamente 30 sóis e que juntos formaram um outro imenso buraco negro, desta vez com uma massa equivalente a de 64 sóis. Os cálculos estimam que as ondas capturadas foram emitidas há 1,3 bilhão de anos e representam algo único na história da humanidade, já que um fenômeno desses (felizmente) não acontece todos os dias.

Na animação abaixo você vê a representação gráfica do que seria a fusão desses dois gigantescos corpos espaciais. As ondas criadas por esse evento conseguiram abalar até mesmo o tecido do espaço-tempo, algo que nunca havíamos presenciado antes, e isso é tão importante porque, com a descoberta, fecha-se o conjunto de teorias que dão base à hipótese de campo unificado de Einstein, que diz que o espaço e o tempo são relativos, além de nos permitir ver o universo com um olhar sensível às ondas gravitacionais.

Uma visão mais ampla do universo

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Estes, por exemplo, são radiotelescópios comumente usados para o mapeamento de estrelas.

O espectro visível da luz não é o único que a NASA e outras agências espaciais utilizam para observar o espaço. Atualmente usam-se instrumentos com imensas capacidades de detecção, sejam eles sensíveis à luz visível, luz infravermelha, luz ultravioleta, sinais de rádio, entre vários outros tipos de onda. Adicione as ondas gravitacionais a isso e bingo: temos mais uma forma de ver o espaço, forma esta que nos permite enxergar algo que aconteceu há bilhões de anos e está muito mais longe do que poderíamos imaginar. Fantástico, não é?

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À esquerda vemos uma imagem gerada por telescópios infravermelhos, muito melhores para a detecção de calor que os telescópios que utilizam a luz visível, como o visto à direita na foto.

Mas talvez você já saiba de tudo isso. Acontece que menos de meio segundo depois das ondas gravitacionais terem sido registradas pelo LIGO, a NASA detectou – com o telescópio Fermi – um fraco sinal de luz (mais precisamente raios gama) vindo da mesma região. Pasmem, buracos negros não emitem nenhum tipo de luz mesmo quando estão em fusão, tampouco deixam que a luz escape de seu interior com sua inimaginável gravidade. Se essa questão intrigou você, imagine como estão os cientistas da agência espacial norte-americana já que, segundo eles, esses dois eventos têm 0,2% de chance de ocorrerem ao mesmo tempo numa região tão próxima. Até agora eles só afirmam que esse raio de partículas gama deve dar indícios de onde ocorreu a fusão dos dois colossos.

"Até o momento, os observatórios de ondas gravitacionais têm uma visão muito embaçada dos eventos. Para o fenômeno de setembro (que veio a público no dia 11 de fevereiro), os cientistas do LIGO só puderam traçar a fonte de uma área que abrange aproximadamente 600 ângulos quadrados. Área angular sólida similar à que os Estados Unidos ocupam na face do planeta Terra", disseram os especialistas. A imagem da área que eles estavam procurando (antes da descoberta da NASA sobre o feixe de luz radioativo) está logo abaixo:

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"Assumindo que o feixe de raios gama está ligado ao ocorrido em setembro, se usarmos a localização do telescópio Fermi e sua visão de onde ocorreu a emissão da luz, podemos reduzir a área de busca pela fonte das ondas gravitacionais para aproximadamente um terço da estimativa que tínhamos antes". Já no vídeo a seguir, é possível ver como o telescópio Fermi ajudou a reduzir a área de busca dos cientistas:

Embora a misteriosa luz nos traga respostas sobre o acontecido, ela também traz perguntas. Já questionamos o fato da fusão entre dois buracos negros emitir um raio de luz que foi visível a uma enorme distância, justamente por se tratar de corpos conhecidos por não permitir a existência de luz próxima ao seu horizonte de eventos.

Constatando isso, o acontecimento levanta duas hipóteses possíveis: a primeira é a de que tudo se trata de uma coincidência e a luz captada não tem nada a ver com o buraco negro (atualmente chamado de GW150914), o que a NASA afirma ter 0,2% de chance de ser verdade. Ou então podemos ficar com a segunda hipótese, que afirma que sim, buracos negros podem emitir luz quando se fundem e com isso estaríamos redondamente enganados em nossa forma de pensar sobre como eles se comportam ou atraem outros corpos para si, incluindo a luz que, nessa fusão, conseguiria escapar de sua enorme gravidade, ao contrário do que pensávamos.

De fato, com tudo isso só podemos constatar uma coisa: a máxima de que toda descoberta da ciência leva a um outro infinito número de perguntas. Incrível, não é mesmo?

Fonte: ScienceAlert