Empresa sul-coreana promete clonar cães por US$ 100 mil

Por Redação | 11.08.2015 às 11:23

O falecimento de um animal de estimação nunca é uma boa notícia. Uma empresa da Coreia do Sul, porém, lançou um serviço que pode tornar a dor da perda um pouco mais suportável por meio da tecnologia, prometendo clonar cachorros de diferentes raças, tamanhos e idades. O processo leva cerca de três meses para ser finalizado e custa US$ 100 mil.

Após anos e anos de pesquisa, e o anúncio da primeira clonagem bem-sucedida de cachorro em meados do ano passado, os serviços da Soamm Biotech estão disponíveis a todo o público há mais ou menos um mês. E a ideia já caiu no gosto de amantes dos animais e celebridades, com Simon Cowell, o amargo jurado de programas como X-Factor e American Idol, sendo um dos primeiros a demonstrar publicamente interesse pelo procedimento.

O processo de clonagem, claro, é extremamente complicado, mas os passos para obtê-lo são relativamente simples. Basta levar o amigo canino para um centro de coleta de tecidos, que, na sequência, são enviados para a Soamm. Caso o cachorro ainda esteja vivo, basta fazer isso. Se a clonagem for feita de forma emergencial, após o falecimento do animal, é preciso tomar alguns cuidados especiais. As células usadas para clonagem são capazes de sobreviver por até cinco dias, desde que o bicho seja armazenado na geladeira e envolto em toalhas molhadas para manter uma temperatura baixa, mas sem congelamento.

O trabalho científico em si é semelhante ao que deu origem à Ovelha Dolly, o primeiro animal clonado em laboratório, em 1996. Núcleos das células do cão a ser clonado são removidos e colocados em óvulos de outro animal, que recebem pequenos choques elétricos para estimular a atividade e divisão. Após alguns dias, caso o processo tenha seguido em frente, o embrião é implantado em uma cadela para que a gestação siga seu curso normal.

A criação do clone leva cerca de três meses até que o animal esteja apto para deixar o laboratório. Nesse período, uma bateria de testes é realizada para garantir que ele não possui problemas físicos. Leis internacionais também precisam ser respeitadas – muitos países impõem uma quarentena de alguns meses para a importação de pets, de forma a evitar a proliferação de doenças.

Além disso, como informa a Soamm, o animal clonado pode até se parecer com o original, mas não é o mesmo e, sendo assim, pode se comportar de maneira diferente. Como o comportamento dos cães é moldado pelo ambiente em que eles vivem, é possível que interações diferentes com objetos e outras pessoas possam acontecer, algo que pode acabar gerando frustração em vez de alegria pela sobrevida do animal.

Apesar de somente estabelecidos no ano passado, a Soamm vem oferecendo seus serviços de clonagem desde 2006 e diz que, até agora, já clonou mais de 400 cães e tem cerca de 15 clientes todos os meses. A companhia é de propriedade do veterinário e pesquisador Woo Suk-Hwang, que ganhou notoriedade justamente por seus estudos sobre células-tronco e replicação, e acabou sendo expulso da academia por forjar resultados. Ele responde a processo criminal sobre esse caso.

Fora tudo isso, a ideia causa controvérsia pelo fato de que nem todas as clonagens são bem-sucedidas. A Soamm garante que nunca abate um animal, mesmo que ele nasça com defeitos, e que só entrega um filhote clonado a seus clientes quando o experimento é bem-sucedido. Ainda assim, a prática vem causando revolta entre cientistas e ativistas dos direitos dos animais, que consideram o processo de gestação e criação cruel.

A companhia não está disposta a parar por aí. Além de gatos e hamsters, outros animais que encabeçam a lista de favoritos como pets, a Soamm assinou recentemente um contrato com a Rússia para recriar um mamute a partir das células de um animal com 40 mil anos de idade.

Fontes: Soamm, Design n Trend, TechInsider, Época