Em um ano, astronauta vai produzir 80 kg de cocô — e isso vai cair na Terra

Por Redação | 18.09.2015 às 08:26

A vida de um astronauta é um enorme mistério para a grande maioria de nós. Além de ficar flutuando pela Estação Espacial Internacional em gravidade zero, a gente sabe muito pouco sobre a rotina daqueles que decidiram passar uma parte da sua vida entre as estrelas. E a NASA decidiu compartilhar algumas curiosidades sobre como é estar no meio do espaço — incluindo alguns detalhes que todo mundo quer saber, mas ninguém quis perguntar.

Para comemorar a missão Ano no Espaço, na qual o astronauta Scott Kelly vai passar exatos 342 dias em órbita para estudar os efeitos desse tipo de viagem no organismo humano, a agência espacial norte-americana trouxe uma divertida imagem mostrando algumas informações e estatísticas pouco convencionais sobre o cotidiano de quem precisa morar na Estação Espacial. E digamos que, apesar de ser o sonho de muita gente, essa é uma vida sem nenhum glamour.

Afinal, você sabia que Kelly vai precisar tomar cerca de 730 litros de urina e suor desidratados ao longo de todo esse período? Não é fácil encontrar água potável no espaço, então a solução é reaproveitar ao máximo o que você tem, mesmo que isso signifique beber o seu próprio xixi.

Um ano no espaço

E, falando em necessidades básicas, o que acontece quando a vontade bate mais forte e é preciso fazer um número 2? Pelo menos as fezes não são reaproveitadas, mas acumuladas para serem reenviadas à atmosfera terrestre. Ao longo do ano em que o astronauta vai ficar em órbita, ele vai produzir cerca de 81,6 quilos de fezes e essa enorme massa fecal vai entrar em combustão tão logo penetre em nosso planeta. Quase um pequeno meteoro de cocô. O lado bom é que ninguém vai confundir isso com uma estrela cadente, já que não poderá ser visto por nós — ainda bem. Por via das dúvidas, evite fazer pedidos nos próximos meses.

As estatísticas liberadas pela NASA abordam ainda outros detalhes um pouco menos escatológicos. Exemplo disso é que Scott Kelly precisa passar por uma série de exercícios constantes para que a gravidade zero não traga efeitos negativos ao seu corpo. Durante os 342 dias da missão Ano no Espaço, ele vai fazer mais de 700 horas de atividades físicas — pouco mais de duas horas diárias — e correr mais de mil quilômetros em uma esteira.

Essa é uma preocupação real, uma vez que o longo período em órbita pode afetar seus músculos, ossos e até mesmo a força de seu coração. E, se a ideia é exatamente analisar esses dados para aplicá-los em possíveis viagens à Marte no futuro, saber das limitações do nosso corpo é algo essencial.

Além disso, outro dado curioso é que Scott Kelly está participando também de outro estudo. Simultaneamente ao Ano no Espaço, o astronauta está ajudando cientistas no chamado Estudo dos Gêmeos, que testa a teoria levantada por Einstein de que o tempo passa de maneira diferente dependendo da gravidade.

Assim, enquanto Scott passará um ano entre as estrelas, seu irmão gêmeo, Mark Scott, fica aqui na Terra. Após o término da missão, pesquisadores vão comparar as diferenças para analisar as mudanças que o período em órbita causou no corpo dele.

Via: NASA, Ars Technica, The Verge