Da ficção para a realidade: astronautas já estão plantando alface no espaço

Por Redação | 06.10.2015 às 08:23

A cada nova informação liberada pela NASA, o sonho de habitar Marte parece estar cada vez mais próximo. A descoberta recente de água em estado líquido na superfície do planeta já foi um enorme avanço nesse sentido e, desta vez, a agência espacial norte-americana vem com mais novidades para reforçar essa ideia de que viver no planeta vermelho não é mais um sonho tão distante assim.

De acordo com o órgão, astronautas já são capazes de plantar vegetais em ambientes fora da Terra — algo que, para muitos teóricos, é um fator mais do que necessário para que o ser humano possa habitar outros planetas. O curioso é que a revelação vem na carona do sucesso do filme Perdido em Marte, que mostra a luta de um botânico para não morrer de fome e que, a partir do solo extraterrestre e de suas próprias fezes, consegue plantar algumas batatas.

De acordo com o diretor de programa de plantação da universidade do Estado de Utah e parceiro da NASA na criação de um meio de cultivar vegetais no espaço, isso já é possível — e sem precisar que o astronauta vá ao banheiro no processo. Segundo Bruce Bugbee, os cientistas estão se concentrando na produção de vegetais para saladas e que legumes como alface e rabanete já estão crescendo fora da Terra.

dunas petrificadas em Marte

O que o pesquisador destaca é exatamente a escolha por esses legumes. Segundo ele, a ideia de trabalhar com esses alimentos é que eles ajudam na reciclagem da água, o que torna todo o cultivo quase que autossustentável. Tanto que ele explica que, no último mês de agosto, os seis astronautas da Estação Espacial Internacional não apenas plantaram e colheram seus vegetais como ainda foram os primeiros humanos a consumirem esse tipo de alimento produzido no espaço.

Bugbee explica ainda que o conceito usado no filme estrelado por Matt Damon — retirado do livro homônimo, escrito por Andy Weir — é bem próximo daquilo que os cientistas da NASA utilizaram. No entanto, ele aponta algumas diferenças que, embora pareçam pequenas, revelam algo bem importante e que pode ser crucial na possível colonização do planeta. É o caso da composição do solo marciano, que pode tornar o cultivo de plantas na sua superfície mais difícil do que visto na ficção.

Segundo o cientista, Marte possui um solo rico em óxido de ferro e que é exatamente isso que faz com que ele tenha a coloração avermelhada que lhe é característica. Mais do que isso, essa alta concentração faz com que fosse impossível fazer com que uma planta cresça muito.

Além disso, ele destaca que os humanos que forem ao planeta não vão precisar fazer cocô sobre suas sementes. Para Bugbee, existem soluções mais práticas (e higiênicas) para solucionar essa questão, como o uso de técnicas hidropônicas e a reciclagem da água.

Marte

Outro ponto destacado pelo pesquisador é a iluminação. Como ele relembra, não há nenhuma fonte de luz próxima a Marte que ajude as plantas a realizarem fotossíntese de maneira eficiente, uma vez que a distância do Sol é grande demais. Assim, o que ele sugere seria o uso de grandes espelhos e lentes para concentrar a luz solar em pontos específicos — algo que parece ser mais seguro do que o bombardeio nuclear proposto por Elon Musk. Segundo Bugbee, isso é algo no qual os cientistas já estão trabalhando.

No entanto, isso não quer dizer que você já pode planejar suas próximas férias para o planeta vermelho ou coisa parecida. Embora a produção de comida seja um problema que parece estar sendo vencido aos poucos, ainda há outras questões mais severas que ainda precisam ser vencidas em relação a Marte. É o caso das constantes tempestades, da falta de luz e oxigênio, das baixas temperaturas à noite e da própria composição do solo.

Em outras palavras, apesar dos avanços e das descobertas, Marte ainda é um sonho distante — mas não impossível. A NASA já estabeleceu o lançamento do programa Missão para Marte que, em 2020, vai enviar um robô de exploração ao nosso vizinho avermelhado para tentar esclarecer algumas questões que ainda permanecem em aberto e que impedem o envio de humanos para lá. Uma delas é a tentativa de extrair oxigênio do dióxido de carbono presente na atmosfera marciana — algo que a agência espacial vê como básico para o cultivo de plantas por lá. A ideia é que os primeiros humanos sejam enviados em 2030.

Para Bruce Bugbee, a tecnologia necessária para que Marte possa ser colonizado já existe — e as alfaces e rabanetes plantados na Estação Espacial não o deixam mentir. No entanto, a única barreira é o dinheiro para dar continuidade às pesquisas e à própria produção dos equipamentos necessários para que esse cultivo aconteça em larga escala.

Via: TechCrunch