Cientistas querem usar eletromagnetismo para estimular a cura de doenças

Por Redação | 09.10.2015 às 08:30 - atualizado em 09.10.2015 às 11:05

Se depender das pesquisas da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Darpa), dos Estados Unidos, em breve remédios convencionais poderão ser substituídos por estímulos neurais durante o tratamento de determinadas doenças.

O órgão governamental iniciou recentemente uma série de pesquisas que visa entender o corpo humano como uma grande rede elétrica interconectada e, a partir disso, usar estímulos elétricos, magnéticos, luminosos e sonoros para agir na recuperação de órgãos comprometidos.

Esta é a premissa do programa ElectRx. O projeto tem como principal objetivo “estabelecer novas capacidades terapêuticas e biomédicas para aprimorar a saúde física e mental por meio do estímulo direcionado do sistema nervoso periférico, a fim de explorar a habilidade natural do corpo para se curar de maneira rápida e efetiva”, informa o doutor Douglas Weber, diretor do programa, em comunicado publicado no site da Darpa.

Em suma, é como se tais estímulos fizessem com que o próprio corpo encontrasse a saída para a sua própria recuperação, dispensando (ou ao menos reduzindo a importância) de outras formas de cura durante o tratamento de algumas doenças.

ElectRx

(Foto: Divulgação/Darpa)

Superestrada de informação do corpo

Na última segunda-feira (5), o Darpa iniciou as pesquisas de fato. Conforme publica em sua página oficial, a agência selecionou sete equipes de cientistas que vão trabalhar exclusivamente dentro do programa ElectRx. Em um primeiro momento, a função destes pesquisadores será pesquisar uma vasta gama tecnologias a fim de criar suporte para os objetivos finais do programa.

O resultado esperado pela agência é que, ao final deste processo de pesquisa, os cientistas tenham criado um sistema completo e capaz de ser testado em seres humanos na forma de tratamento para problemas como dores crônicas, doenças inflamatórias, estresse pós-traumático e ainda doenças que não conseguem ser superadas por meio de tratamentos convencionais.

“O sistema nervoso periférico é a superestrada de informação do corpo, ligando uma vasta quantidade de sinais motores e sensoriais que monitoram o estado de nossa saúde e as mudanças no cérebro e em órgãos que funcionam para nos manter saudáveis”, relata Weber. “Nosso objetivo é uma tecnologia que pode detectar o início de uma doença e reagir automaticamente para restaurar a saúde por meio do estímulo de nervos periféricos a fim de modular as funções do cérebro, da medula espinhal e de órgãos internos”.

Precisão e escala

O objetivo da fase um do programa ElectRx envolve “o mapeamento dos circuitos neurais que governam a psicologia da doença”, informa a Darpa. A partir disso, a agência pretende desenvolver uma interface bioneural minimamente invasiva e com grau de precisão e escala jamais visto na história da ciência.

Ou seja, a ideia é criar um método que causa pouco ou nenhum dano colateral e, ao mesmo tempo, é capaz de usar caminhos oferecidos pelo próprio corpo humano para estimular o tratamento de algumas doenças.

Fontes: Darpa (1), Darpa (2)