Cientistas publicam primeiro relatório sobre a missão New Horizons em Plutão

Por Redação | 17 de Outubro de 2015 às 12h02
photo_camera NASA

A NASA anunciou em julho deste ano que a sonda espacial New Horizons, enviada à Plutão e suas luas há nove anos, alcançou seu principal destino e marcou a primeira visita da humanidade ao planeta. Desde então, a viagem vem trazendo diversas descobertas surpreendentes.

Agora, os cientistas que estão por trás da missão publicaram na revista Science um relatório da sua primeira visão geral do que foi encontrado em Plutão. O documento deixa claro que o planeta e as suas luas são ainda mais fascinantes e misteriosas do que qualquer pessoa já imaginou.

Plutão e Caronte, sua maior lua, foram descritos como "dois dos órgãos mais complexos do nosso sistema solar". Alan Stern, chefe da missão New Horizons, diz ainda que existem evidências de blocos glaciais e outras características tectônicas que indicam claramente que esses organismos já foram geologicamente ativos no seu interior.

"Nosso melhor entendimento é que um planeta (anão) como Plutão, depois de 4,5 bilhões de anos de arrefecimento, não deve ser ativo. Nós realmente não entendemos o por que ou como isso aconteceu. Esta é uma grande mudança de paradigma que está violando nosso conhecimento de todos os planetas. Há claramente algo que falta em nosso pensamento, e envia a geofísica de volta para a prancheta. A missão da New Horizons está valendo a pena, mas meu cérebro dói", completa.

A prova de que Plutão é surpreendente já percorreu o mundo com a foto que mostra um desenho na forma de coração no planeta, batizado pelos cientistas de Sputnik Planum, ou SP. "SP é do tamanho do Texas e, ao contrário do resto de Plutão, não há uma única cratera nele", afirma Stern, que comenta que isso significa que ele deve estar ativo, caso contrário seria uma área esburacada. Os cientistas também encontraram evidências de placas tectônicas e blocos de gelo glacial, que também comprovam atividades geológicas recentes.

A New Horizons ainda revelou uma faixa de mistérios secundários. Dois dos seus menores satélites, Nix e Hydra, são bastante reflexivos, sendo quase duas vezes mais brilhantes do que gelos, e não se sabe o motivo para esse fenômeno. Além disso, a atmosfera do planeta é composta por muitas camadas de neblina, que ainda incluem algumas moléculas exóticas, como acetileno e etileno, sendo muito mais elevada do que se pensava. Os cientistas ainda estão tentando investigar a composição geológica por trás da superfície gelada de Plutão, que já detectou a existência de uma fina camada de gelo.

Mas a missão New Horizons também tem um lado divertido. Os cientistas nomearam os corpos gelados do planeta baseados em referências de famosos exploradores espaciais, como Kirk, Spock e Uhura. Também existem crateras chamadas Vader, Skywalker, (Leia) Organa, Mordor Cthulhu Regio, Balrog Macula, entre outros que podem ser vistos aqui.

Apesar das descobertas, a NASA baixou somente 15% do total de dados coletados no sobrevoo. Stern afirma que ele e os seus colegas não terão outras respostas mais sólidas sobre Plutão e Caronte até 2017, um ano depois que o download dessas informações chegar ao fim.

"É apenas mais uma prova de que a natureza é espetacular e surpreendente. O sistema de Plutão não é só encantador e bonito, mas também está nos ensinando lições sobre como as coisas funcionam em um universo que nunca previmos", conclui.

Fonte: Popular Mechanics

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