Cientistas criam implante que promete dar visão prática aos cegos

Por Redação | 28.04.2015 às 16:50

Atualmente, existem meios de recuperar parcialmente a visão de pessoas cegas, mas de modo bastante limitado, com implantes que conseguem, no máximo, melhorar um pouco o senso de direcionamento dos portadores de deficiências visuais, ajudando a prevenir colisões ou quedas — mas só. Uma empresa francesa, porém, pode estar fazendo avanços significativos para mudar isso e proporcionar consideráveis melhoras na qualidade de vida desses deficientes.

A companhia se chama Pixium Vision e foi criada em 2011 por um grupo de cientistas, acadêmicos e especialistas em tecnologia da França e de outros países do mundo. Recentemente, a empresa conseguiu testar em ratos, com sucesso, um implante de retina que vai bem além do que há disponível hoje em recuperação de visão.

Trata-se de um minúsculo chip, batizado pela companhia simplesmente de VRS (Vision Restoration Systems, ou Sistemas de Restauração de Visão, em tradução livre), que é implantado atrás da retina do cego e usa luz infravermelha para estimular o cérebro a captar imagens e, ao mesmo tempo, fazer o próprio dispositvo funcionar.

Os testes feitos com ratos de laboratórios resultaram em recuperação de 20 pontos, numa escala de 250 possíveis. Embora esteja muito aquém de uma recuperação plena, o resultado deixou os pesquisadores otimistas, uma vez que o que há de mais avançado hoje só atingia 20 pontos de 500 possíveis.

Embora tenha conseguido bons resultados, a Pixium deixa claro que seu sistema só funciona para pessoas que têm sua cegueira causada pela degeneração das células fotorreceptoras da retina, mas cujo nervo ótico ainda esteja funcional. Além do implante na retina, faz parte do kit VRS também uma espécie de par de óculos, que conta com uma câmera, um sistema de transmissão de dados e também um processador de bolso.

Caso as pesquisas se desenvolvam como os cientistas da Pixium esperam, os VRS poderão até mesmo tirar seus usuários da classificação "cegos", ao menos para os padrões norte-americanos, nos quais uma pontuação de visão de 20 em 120 pontos possíveis — que é onde a empresa francesa crê que irá chegar — não pode mais ser considerada como cegueira.

Os testes dos VRS em seres humanos devem começar em 2016.

Via Engadget.