Cientistas conseguem capturar partícula subatômica rara pela primeira vez

Por Redação | 15.05.2015 às 08:52
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Os cientistas da CERN, Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, acabam de anunciar que registraram resquícios de partículas subatômicas extremamente raras. Segundo o estudo publicado na última edição da revista Nature, nesta quarta-feira (13), o fato é inédito e comprova uma teoria fundamental da física de partículas.

As descobertas foram baseadas em experimentos feitos entre 2011 e 2012 no Grande Colisor de Hádrons (LHC) e os cientistas esperam que elas ajudem em futuras investigações sobre a matéria escura, além de outros fenômenos que o Modelo Padrão da física não explica.

O Modelo Padrão da física mostra como é a interação das partículas fundamentais do universo por meio das forças forte, fraca e eletromagnética. O que a teoria não é capaz de explicar é a existência da gravidade ou da matéria escura.

As partículas decaem quando aquelas que são elementares se transformam espontaneamente em outras iguais. Nos experimentos realizados pelo LHC, prótons com um grau alto de energia se colidiram e criaram um trilhão de partículas, que são conhecidas como mésons B neutros. Alguns se transformaram em pares de múons, uma espécie de elétron mais pesado.

O decaimento de um tipo de méson B, o que é considerado "estranho", aconteceu na mesma frequência que estava prevista pelo Modelo Padrão com um nível de precisão de 99,9%. O decaimento dos mésons B não estranhos também atingiu o Modelo Padrão com precisão de 99,7%.

O pesquisador do CERN, Marc-Oliver Bettler, diz que a descoberta pode ajudar as pessoas a entenderem melhor quais partes estão certas e quais estão erradas. "Estamos questionando essas teorias, o que não quer dizer que elas estão erradas. Estamos apenas dizendo que elas não podem cobrir todo o espaço que cobriam antes", afirmou.

O Grande Colisor de Hádrons voltou a funcionar após dois anos desligado para manutenção. A nova versão do LCH deverá usar o dobro de energia do modelo anterior da máquina e, assim, melhorar os resultados dos estudos.

Fonte: Nature