Cientistas acreditam ter desvendado mistérios do campo magnético terrestre

Por Redação | 08.06.2016 às 09:09
photo_camera DESY

O campo magnético da Terra (também chamado de campo geomagnético) não somente posiciona os polos norte e sul do planeta, como defendem nosso lar dos perigosos ventos solares - que, acredita-se, foram os responsáveis por “varrer” a atmosfera de Marte, por exemplo. E uma equipe de cientistas alemães acredita ter desvendado mais alguns dos mistérios a respeito dessa força essencial para a manutenção do nosso planeta.

Zuzana Konôpková, pesquisadora do DESY Photon Science, explica que “o campo magnético nos protege contra as partículas de alta energia do espaço - a chamada radiação cósmica - e sua existência é uma das coisas que fazem do nosso planeta habitável”. Mas algo que até então não se sabia exatamente era o quão antigas são as forças geológicas que sustentam essa proteção, e é justamente essa a descoberta que a equipe do DESY realizou, registrando-a devidamente na revista Nature. A resposta é: nosso campo magnético está na ativa há pelo menos 3,4 bilhões de anos.

De acordo com Konôpková, o mecanismo presente dentro da Terra, chamado geodínamo, determina o movimento do ferro líquido presente no núcleo externo do nosso planeta, e a forma com que esse ferro líquido se move, juntamente com a rotação do planeta, é o que ativa o campo magnético. Então, os cientistas do DESPY decidiram estudar melhor a relação entre os núcleos interno e externo, mais especificamente como o calor é transferido entre essas camadas para criar o geodínamo.

campo magnético da Terra

A arte mostra a Terra cortada ao meio, destacando a transferência de calor existente no núcleo do planeta, que, por sua vez, gera o campo magnético terrestre (Reprodução: DESY)

Uma vez que é impossível enviar uma sonda ao núcleo da Terra e retirar amostras reais para estudo, a equipe decidiu simular essa relação térmica imitando as condições relevantes. Os pesquisadores utilizaram um dispositivo com laser infravermelho para observar como o ferro conduziria o calor sob condições extremas, aquecendo o metal até que ele se comprimisse entre dois diamantes, simulando as pressões extremas que o núcleo do planeta suporta.

Os cientistas levantaram a seguinte hipótese: sem uma grande quantidade de calor não haveria muita energia para dirigir a convecção que alimenta o geodínamo, enquanto a baixa condutividade térmica deixaria mais energia para gerar o campo magnético do planeta. A partir dessa ideia, descobriu-se que as amostras de ferro aquecidas com o laser corresponderam com a visão de que o campo magnético da Terra vem funcionando há pelo menos 3,4 bilhões de anos.

Konôpková acredita que os resultados “contradizem fortemente os cálculos teóricos”, e revelou que foram encontrados “valores muito baixos de condutividade térmica, que pode resolver o paradoxo e fazer o geodínamo operável desde os primórdios da Terra”.

Apesar da descoberta significativa, a cientista afirmou que essas conclusões permanecem altamente hipotéticas e que continuará estudando a condutividade térmica de metais, além do ferro, para que seja possível ter uma ideia mais precisa sobre como o núcleo da Terra afeta o geodínamo.

Fonte: DESY