Cientista brasileira descobre sensor para diagnosticar câncer no estágio inicial

Por Redação | 30 de Setembro de 2015 às 16h24
photo_camera Foto: Reprodução

Uma cientista da cidade de Brasília, no Distrito Federal, membro do Instituto de Microeletrônica de Madrid há seis anos, desenvolveu uma nova técnica para a detecção de sinais de câncer. A ideia de Priscila Kosaka dispensa a agressividade das biópsias e ainda consegue identificar a doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

O diagnóstico é feito em amostras de sangue colhidas dos pacientes, com a ajuda de um nanosensor com sensibilidade 10 milhões de vezes maior que a dos métodos dos exames tradicionais. O produto deve estar disponível no mercado em até 10 anos e pode também ser utilizado na detecção de doenças como Alzheimer e hepatite.

Kosaka explica que o sensor funciona como um "trampolim muito pequenininho" e que ele possui anticorpos na sua superfície. Quando essa pequena estrutura entra em contato com uma amostra de sangue de uma pessoa com câncer, ela faz a captura da partícula diferente, se tornando mais pesada. Também existem outras estruturas relacionadas à técnica que mudam a cor das partículas, indicando que o paciente tem um tumor maligno. A cientista diz que, apesar de sua eficiência, o sensor tem uma pequena taxa de erro de 2 a cada 10 mil casos.

Ela ainda conta que não existe nenhuma técnica que faça essa detecção de moléculas que se encontram em concentrações muito baixas e que coexistam com mais de 10 mil espécies em uma única bioamostra. "Atualmente nenhuma técnica é capaz de encontrar a ‘agulha no palheiro’. Portanto, existe uma necessidade de tecnologias capazes de registrar moléculas individuais na presença de outras mais abundantes. E o nanosensor que desenvolvi é capaz de fazer isso", afirma.

A cientista relata que novos estudos podem ajudar o nanosensor na identificação de qual grupo específico pertence à amostra cancerígena. Existem mais de 100 tipos da doença, sendo os mais comuns de próstata, mama, cólon, reto e pulmão.

O sensor ainda precisa passar por novas fases de testes e de um financiamento para os estudos. Um dos objetivos do projeto é fazer com que o equipamento tenha um valor acessível para alcançar toda a população.

"Muito feliz, amo o que faço. Consegui um resultado que parecia apenas um sonho há quase seis anos. O que me motivou? Conseguir proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas. Quero que o diagnóstico precoce do câncer seja uma realidade em alguns anos. Trabalho em busca de um resultado como esse desde o meu primeiro dia no Bionanomechanics Lab", diz.

Priscila Kosaka é bacharel em química pela Universidade de Brasília e doutora na área pela Universidade de São Paulo.

Fonte: G1

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