Até mesmo os robôs têm problemas para lidar com a radiação de Fukushima

Por Redação | 14 de Março de 2016 às 11h30

A radiação é tão forte que nem mesmo as tecnologias mais avançadas de materiais e robóticas são capazes de lidar com ela. Cinco anos depois do desastre causado no Japão por um tsunami, essa ainda é a realidade da usina nuclear de Fukushima Daiichi. Humanos, logicamente, não podem chegar nem perto de lá, e até mesmo as máquinas estão tendo dificuldades para realizar o trabalho de descontaminação.

Os principais problemas são o acúmulo de água contaminada nos reatores que foram atingidos pelo tsunami e também as células de combustível desse maquinário. As peças, com algumas toneladas de peso, foram parcialmente derretidas quando os reatores de Fukushima foram rompidos e nem mesmo a Tokyo Electronic Power, responsável pela administração da usina, sabe exatamente onde elas estão localizadas, pois foram levadas com a força das ondas.

Dos quatro prédios que constituíam a unidade, somente um pôde ser limpo até o momento. Nos outros três, o acesso é dificultoso até mesmo para robôs, que precisam atravessar escombros, além de submergir diversas vezes, em busca das células. Em todas as tentativas realizadas até agora, a radiação foi tão grande que chegou a derreter os fios que ligam as peças da máquina, tornando-as inúteis e nada mais do que obstáculos que dificultam ainda mais a realização de novas tentativas.

É um processo demorado e, principalmente, custoso. Desde o desastre, a estimativa é de que a Tokyo Electronic Power já tenha gastado milhões de dólares na construção de robôs e métodos para descontaminar Fukushima, muitas vezes sem sucesso. Cada robô leva cerca de dois anos para ser desenvolvido, pois precisam ser construídos especificamente para os prédios em que vão se aventurar, de onde, até hoje, nenhum retornou.

Entretanto, a companhia se mostra otimista. Em alguns pontos de Fukushima, os níveis de radiação já são aceitáveis para seres humanos e mais de oito mil pessoas trabalham por ali, seja na remoção de escombros, na construção de tanques para a transferência de líquidos contaminados ou no desmantelamento do que restou da usina nuclear. Mas o principal esforço é o de manter os reatores danificados resfriados por meio de uma torrente constante de água, para que eles não voltem a explodir.

O maior esforço, agora, é para evitar que essa água, instantaneamente contaminada, vaze para o oceano. De acordo com a companhia que administrava Fukushima, o trabalho no local está apenas 10% concluído e a expectativa é que tudo retorne à normalidade nos próximos 40 anos. Isso, claro, levando-se em conta que a tecnologia para lidar com a radiação extrema apareça no futuro próximo. Antes disso, tudo não passa de uma estimativa.

Fonte: Reuters

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