Adobe explica como imagens do espaço são modificadas com o Photoshop

Por Redação | 02 de Outubro de 2015 às 08h11

Não é exatamente um segredo que as maravilhosas imagens do espaço divulgadas pela NASA e outras agências espaciais passam pelo Photoshop antes de vir a público. No entanto, agora a Adobe resolveu explicar exatamente o que acontece durante a fase de pós-processamento deste tipo de foto.

Por meio de um post em seu blog, a desenvolvedora do Photoshop explicou que, em primeiro lugar, a pessoa que faz o retoque não pode ser um designer gráfico comum: ele normalmente precisa ser um astrônomo. Isso porque os responsáveis pelas edições precisam conseguir interpretar os dados brutos obtidos por equipamentos como a Curiosity e o telescópio espacial Hubble.

Às vezes é preciso costurar diferentes imagens para criar um panorama (como acontece nas transmissões da Curiosity), mas outras vezes o processo é bem mais complicado. Robert Hurt é um astrônomo e especialista em Photoshop que trabalha no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) que costuma realizar esse tipo de tarefa. Ele explica que seu trabalho começa com "dados brutos em escala de cinza de diferentes partes do infravermelho do espectro".

Parte do seu trabalho é amplificar o contraste para realçar as características mais interessantes e se livrar de qualquer artefato que não deveria estar na imagem. Depois disso, ele traduz "cores infravermelhas", que são invisíveis a olho nu, em cores que nós realmente podemos ver. Por vezes, ele também reúne fotos e dados de diferentes telescópios (como o Hubble e o Spitzer) para criar uma imagem mais vívida e precisa.

Um bom exemplo disto é o trabalho que ele realizou na Nebulosa de Órion:

 Nebulosa de Órion

O resultado final é geralmente um enorme arquivo "multi-gigabyte" que contém camadas de informação. Hurt explica que as imagens que ele ajuda a produzir não podem ser apenas visualmente atraentes, mas também fiéis aos dados científicos.

A óptica da câmera muitas vezes cria artefatos que, para um observador leigo, podem parecer algo real, que está fisicamente presente no universo. "Mas essas são coisas que nós queremos tirar da imagem, porque não queremos que as pessoas pensem que há alguma coisa estranha flutuando lá fora, quando na verdade não há", explicou o astrônomo.

Galáxia de Sombrero

Esta impressionante imagem à direita da Galáxia do Sombrero foi produzida por meio da combinação de imagens do Spitzer da NASA (à esquerda) e do telescópio espacial Hubble (meio)

Fonte: Adobe