Protótipo de câmera na ponta do dedo ajuda deficientes visuais a ler

Por Redação | 12.03.2015 às 08:14

Um protótipo desenvolvido nos laboratórios do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) pode permitir que cegos usem seus dedos para ler sem precisar aprender braile. O chamado "FingerReader" fica acoplado ao dedo do usuário e é equipado com uma série de sensores que permite a leitura do texto na página.

Atualmente, deficientes visuais já podem utilizar softwares que convertem texto em áudio para ler páginas da web, documentos virtuais, arquivos PDF e e-mails, mas com textos impressos o assunto muda. O FingerReader promete trazer essa conversão para o mundo real ao orientar o dedo do usuário ao longo de uma linha de texto e gerar áudio em tempo real a partir do que é detectado.

"Você precisa ter uma conexão fina entre o que a pessoa ouve e o onde a ponta do dedo está", explicou o estudante Roy Shilkrot, um dos autores do projeto, ao CNET. "Para os usuários com deficiência visual, isso é uma tradução. É algo que traduz o que o dedo dele vê em áudio. Eles realmente precisam de um feedback rápido e em tempo real para manter essa conexão. Se ela é quebrada, ela quebra a ilusão".

O dispositivo depende muito da alimentação da câmera e dos algoritmos associados a ela. Quando o usuário coloca o dedo na página, no início de uma nova linha, esses algoritmos fazem uma série de suposições sobre o caminho dessa linha com base na densidade do texto – a parte superior e inferior de uma letra são mais densas do que a parte do meio dela.

FingerReader

Isso permite ao FingerRead acompanhar com mais facilidade cada palavra, capturar uma imagem e enviá-la para um software que analisa e as traduz em áudio em tempo real. Atualmente, o protótipo do dispositivo funciona ligado a um notebook responsável por fazer esses cálculos, mas a equipe do MIT já está trabalhando no desenvolvimento de uma versão do software de código aberto que será executada em dispositivos Android.

A equipe também pensou em dois métodos de orientação para o usuário: dispositivos ligados à parte superior e inferior do dedo que vibram quando ele se afasta da linha de leitura, o alertando para mover o dedo de volta para cima ou para baixo da página; e um alerta sonoro que dispara quando o dedo se desvia do sentido do texto. Durante os testes, os usuários não demonstraram preferência por nenhum dos dois métodos em especial e por isso os pesquisadores optaram por utilizar a versão sonora, uma vez que os motores táteis adicionariam mais peso e volume ao dispositivo.