Pesquisadores na China estão desenvolvendo submarino supersônico

Por Redação | 02.09.2014 às 08:18
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Já imaginou ir do Rio de Janeiro para a Europa em menos de 2h? Como seria isso? Avião supersônico? Foguete? Não, um submarino supersônico. Isso mesmo, submarino. É nisto que pesquisadores chineses estão trabalhando: uma tecnologia capaz de impulsionar um corpo de baixo d’água a velocidades superiores a do som e utilizando a supercavitação.

Mover-se na água é muito mais difícil do que no ar, porque a água é um fluido muito mais viscoso – ela é mais “grossa”, aumentando a resistência ao avanço.

Porém, com o efeito da supercavitação, essa resistência é quase que eliminada por completo. Para isso, cria-se uma bolha de ar envolvendo o corpo para ele se mover livremente sem resistência alguma, como na segunda imagem:

Submarino e supercavitação

História

A tecnologia já é antiga e começou a ser desenvolvida pelos russos (União Soviética) na década de 1960 com o propósito de criar um torpedo de alta velocidade.

Como a resistência da água é muito grande, torpedos precisam de muita energia para desenvolver uma velocidade aceitável e isso limita o alcance e gera outros problemas. Portanto, se fosse possível se livrar da resistência da água, problem solved, os russos teriam o torpedo perfeito.

Foi aí que nasceu o VA-111 Shkval, um torpedo que está operacional na Marinha russa, e pode atingir velocidades de até 370 km/h – um torpedo comum chega, no máximo, a uns 100 km/h.

Além da Rússia, os únicos países a terem essa tecnologia são o Irã, que provavelmente fizeram engenharia reversa do modelo russo, como é de costume, e a Alemanha, com seu Superkavitierender Unterwasserlaufkörper, ou "Corpo submerso de supercavitação". Os EUA estão desenvolvendo um torpedo do tipo, porém quase não há informação sobre o projeto.

E isso tudo nos leva à China, o novo gigante econômico, que cada vez mais está investindo em tecnologia militar e dos transportes.

O projeto chinês

O torpedo russo e os demais projetos precisam ser lançados a uma velocidade alta – cerca de 100 km/h – para que a supercavitação entre em efeito. Já os chineses estão desenvolvendo uma nova técnica que não precisará de tanta velocidade para o lançamento.

Segundo a descrição do Harbin Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Harbin, cidade chinesa), o aparato utiliza uma membrana liquida especial que reduz o atrito com a água a baixas velocidades, que é borrifada no corpo até ele atingir a velocidade mínima (100 km/h) para então usar o mesmo sistema presente no torpedo russo, criando um bolsão de ar em volta dele.

A realidade

Apesar da ideia ser interessante, ainda existem várias limitações. Teoricamente, a supercavitação permite velocidades até a do som na água, que neste meio é de monstruosos 5.300 km/h, que faria o percurso Shanghai – São Francisco ou Rio – Londres em menos de 2 horas.

A principal limitação refere-se à propulsão. Os torpedos Shkval utilizam foguetes, mas esses têm um tempo de queima muito curto, de alguns segundos, no máximo minutos, o que não seria suficiente para percorrer o trajeto todo. Obviamente, um motor à jato jamais funcionaria em tal circunstância, porque precisa de oxigênio.

As aplicações

A pesquisa na China é principalmente de cunho militar e visa o desenvolvimento de submarinos e torpedos mais rápidos, mas também há um grande foco nesse possível meio de transporte que revolucionaria os negócios.

Apesar das implicações técnicas ainda serem grandes para a criação do submarino transpacífico supersônico, podemos apontar outros usos para a tecnologia, diz Li Fengchen, um professor do Instituto de Tecnologia de Harbin.

Um exemplo dado por Li seria uma roupa especial para nadadores, que, tirando a resistência da água, seria como nadar no ar.

Ainda vai levar um certo tempo até a tecnologia evoluir para algo realmente útil, mas a China tem investido bastante nessas tecnologias “malucas”.

Um outro projeto chinês, por exemplo, é a criação de uma linha férrea gigante ligando o gigante asiático aos EUA, passando pela Sibéria e o extremo oriente da Rússia, com túneis sob o mar para fazer a travessia até o Alasca e em seguida ir para o país americano.