Pesquisa revela novas bactérias que se alimentam de energia elétrica

Por Redação | 23 de Julho de 2014 às 08h20

Uma pesquisa já havia revelado a existência de uma bactéria que se alimentava de eletricidade, a Rhodopseudomonas plustris. Mas o fato é que esses micro-organismos podem ser muito mais comuns do que imaginávamos. Uma pesquisa mais recente comprova que existem diversas bactérias elétricas e elas podem ser encontradas em quase todos os lugares à nossa volta.

Esses seres vivos se alimentam de energia elétrica em sua forma mais pura, como elétrons. A pesquisa foi comandada por Kenneth Nealson, da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles.

A pesquisadora explica, em uma entrevista na revista New Scientist, que mesmo os seres humanos precisam de energia para sobreviver. Neste caso ingerimos o açúcar, por exemplo, que no organismo passa por uma transformação onde os elétrons são cobertos por células que fazem ATP. A questão é que essas bactérias possuem uma capacidade muito particular de escapar dessas etapas intermediárias necessárias a todos os outros seres vivos e se alimentarem diretamente da energia, em sua forma mais pura – os elétrons diretamente, a partir de superfícies minerais.

Segundo o site Hype Science, a equipe de Nealson é uma das poucas cultivando bactérias diretamente com eletrodos, fazendo com que elas sobrevivam apenas com energia elétrica e sem acesso a qualquer outro tipo de nutriente. Para a realização da pesquisa, a equipe coleta sedimentos marítimos, com um processo que inclui medir a tensão natural, inserir eletrodos e aplicar tensão.

As novidades da pesquisa de Nealson também incluem as descobertas feitas pela aluna Annette Rowe, que identificou até oito tipos diferentes de bactérias que consomem energia elétrica, mostrando que este universo pode ser muito mais amplo do que o imaginado inicialmente.

As descobertas das bactérias que se alimentam de energia podem ter utilidades práticas para o futuro. A NASA já se mostra interessada neste tipo de organismo que sobrevive com pouca energia e que pode sugerir que haja outros tipos de vida em outras partes do sistema solar.

Na Terra, as bactérias elétricas podem ser usadas na criação de mecanismos de limpeza de esgotos e de água subterrânea contaminada. Com o estudo desses organismos é possível também que o homem seja capaz de identificar quantidades mínimas de energia necessária para a vida, sendo possível a vida em condições extremas.

O microbiólogo do Instituto Politécnico Rensselaer (EUA), Yuri Gorby, chegou a sugerir que essas bactérias, sendo cultivadas em dois eletrodos, poderiam “manter-se praticamente para sempre”, com o organismo vivendo por tempo indeterminado se nada o comesse ou destruísse. Seria essa uma forma de vida que viveria para sempre?

Assista ao vídeo para entender como funciona a pesquisa.

Fonte: http://hypescience.com/bacterias-eletricas/

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