Para novas observações, Nasa reposiciona a mais antiga sonda na órbita de Marte

Por Redação | 14.02.2014 às 06:15

A Agência Espacial Norte-americana (Nasa) anunciou esta semana que deu início a uma operação de reposicionamento orbital de sua mais antiga sonda em atividade, a Mars Odyssey, que em 2014 completa 13 anos desde seu lançamento, em 2001. A ideia é que a sonda possa, a partir do reposicionamento, fazer novas observações sistemáticas do planeta vermelho, como nevoeiros matinais, nuvens e geada na superfície para compreender as diferentes estações do ano em Marte. As informações são do Phys.org.

A manobra ocorreu no último dia 11 de fevereiro. Engenheiros da equipe Odyssey – instalados no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em Pasadena, Califórnia, e no Lockheed Martin Space Systems, de Denver – projetaram um movimento suave para acelerar a deriva da sonda em direção a uma órbita matinal, em que a Odyssey permanece à luz do dia. A mudança desejada não vai acontecer de uma vez, mas gradualmente até a geometria da órbita pretendida ser atingida, o que deve acontecer apenas em novembro de 2015 juntamente com manobras auxiliares para impedir a deriva.

A mudança, de acordo com os pesquisadores, vai permitir a observação de alternâncias de temperaturas do solo pouco depois do amanhecer e em outros momentos do dia marciano – isso em “milhares” de lugares em Marte. As novas observações podem render uma visão inédita sobre a composição do solo e sobre os processos conduzidos às temperaturas do dia, tais como fluxos de estação quentes observados em algumas encostas, e gêiseres alimentados pelo descongelamento de blocos de dióxido de carbono nos polos de Marte, por conta da primavera.

“Estamos ensinando a uma antiga espaçonave novos truques”, afirma o cientista do projeto Odyssey, Jeffrey Plaut, do JPL. “A Odyssey estará em posição para ver Marte a partir de uma luz a qual nunca esteve antes”. Nem a Odyssey, nem qualquer outra sonda da Nasa em Marte foi posicionada em padrão orbital com vista para o solo durante o dia marciano – desde a década de 1970. Sondas anteriores da Nasa e a sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), forneceram imagens de névoas da manhã em Marte, mas até então elas se dedicaram a observar o planeta principalmente à tarde, quando as vistas da superfície são menos nebulosas.

A Mars Odyssey foi lançada em 2001 e é a nave espacial mais antiga enviada para Marte. A sonda completou a manobra inicial na última terça-feira, precisamente às 12:03 no horário europeu. O movimento contou com o uso de quatro propulsores, cada uma com cerca de 5 libras de força (o equivalente a 22 Newtons ou 2,24 quilogramas-força). “Esta nave espacial veterana realizou tudo exatamente como planejado”, afirmou David Lehman, gerente do Odyssey Project, do JPL.

A Odyssey voa em uma órbita muito próxima dos polos marcianos, de modo sincronizado com o Sol. Na maior parte dos seus primeiros seis anos em Marte, a órbita foi fixada na posição de 5 horas, no tempo solar local. A sonda orbita o planeta em rotação no sentido do polo norte para o sul, o que traz a vantagem de seu equipamento de refrigeração permanecer fora da incidência da luz solar. Nesse período, a Odyssey revelou, por meio de espectrômetro, evidências de água perto da superfície marciana. Ela fez ainda descobertas importantes no que diz respeito à detecção de água congelada e de como outros elementos, a exemplo do hidrogênio, estão distribuídos em Marte.

Em uma segunda etapa, durante três anos, a Mars Odyssey trabalhou na posição orbital de 4 horas, o que proporcionou uma vantagem para o mapeamento mineral. No meio da tarde marciana, o calor torna mais fácil a identificação de componentes minerais por meio de infravermelho. Tal calendário, no entanto, levou o sistema de energia da sonda ao limite – o que levou os cientistas a reposicionarem a Odyssey em posição orbital em área de sombra do planeta, onde os painéis solares acabam se tornando improdutivos.

Com a chegada do rover Curiosity ao solo marciano para ajudar nas pesquisas, os cientistas também esperam que a nova posição da Odyssey colabore para preservar as baterias no processo de desgaste da sonda. “Nós não sabemos exatamente o que vamos encontrar quando chegarmos a uma órbita onde veremos a manhã logo depois do nascer do Sol”, explica Christensen. “Podemos olhar para as diferenças sazonais. São os nevoeiros mais comuns no inverno ou na primavera? Vamos olhar sistematicamente. Vamos observar as nuvens em luz visível e verificar a temperatura do solo no infravermelho”.

Segundo os pesquisadores da Nasa, após a conclusão do reposicionamento orbital, em novembro de 2015, Odyssey terá pela frente entre nove a dez anos de operação, levando em conta as taxas anuais de consumo dos propulsores. Além de realizar suas próprias observações, a Odyssey também serve como um retransmissor de comunicações importante para os rovers na superfície do planeta vermelho.