Novo condutor elástico de ouro pode um dia morar dentro do seu cérebro

Por Redação | 19.07.2013 às 14:52
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Um novo material, que se parece mais com um pedaço de uma folha de ouro, é, na verdade, o mais novo condutor elástico produzido com o metal nobre, que poderá ser utilizado em um futuro em implantes de eletrodos no cérebro e em marca-passos. Feito a partir de nanopartículas de ouro e de um polímero elástico, o material mantém sua capacidade de condução e ainda pode ser esticado até quatro vezes mais do que seu tamanho original. As informações são do Wired Science.

"Parece ouro elástico", afirmou Nicholas Kotov, engenheiro químico da Universidade de Michigan, Estados Unidos. "Mas nós podemos esticá-lo como um elástico convencional". Quando o material é esticado, ele retém todas as propriedades do metal, incluindo sua capacidade de transporte de elétrons.

Normalmente, esticar um circuito atrapalha as ligações inter-atômicas, que são responsáveis por manter o fluxo de elétrons de um lado para o outro ativo. A maioria dos sistemas eletrônicos elásticos atuais consegue resolver este problema graças à introdução de fios dobráveis que podem se expandir e contrair. Já no novo circuito não é necessária a utilização de dobras e fios dobráveis.

O segredo do sucesso do novo material é a incorporação de nanopartículas de ouro que se reorganizam no polímero elástico, feito de poliuretano. Quando o material é esticado, as nanopartículas de ouro se organizam em cadeias de condutores, correndo para preencher as lacunas no material após o alongamento. Kotov afirma que este é o primeiro material baseado em nanoesferas para alcançar condutividade intrínseca elástica.

Em uma análise microscópica elétrica, os pesquisadores puderam observar que as nanoesferas criam cadeias sob pressão, produzindo estruturas por onde os elétrons podem fluir. "E quando você para de tracionar, eles praticamente voltam à sua posição original", explicou Nicholas Kotov. Apesar da capacidade de condução máxima ser reduzida em 10% do valor original, os pesquisadores afirmam que ainda é suficiente para fornecer energia para determinados dispositivos.

Algum dia, o material de ouro e poliuretano poderá viver dentro da sua cabeça na forma de eletrodos implantáveis para o tratamento de distúrbios de movimento. Ou ele também poderá habitar seu coração no formato de um dispositivo que regula sua atividade cardíaca. A equipe de Kotov também estuda outras nanopartículas que poderão ser usadas em condutores elásticos, e o próximo passo é transformar o condutor em um sistema eletrônico elástico completo.