Novo combustível pode fazer espaçonaves ultrapassarem velocidade da luz

Por Redação | 08 de Outubro de 2012 às 10h15

Apesar de termos chegado ao espaço, nós ainda não fomos muito longe. Talvez isso se deva ao fato de o universo ser extremamente grande, e por isso, seja frustrante pensar em desbravá-lo. A nave espacial mais rápida construída pelos homens, a Voyager 1, é capaz de voar a 16,9 quilômetros por segundo, mas essa velocidade é apenas uma fração ínfima da velocidade da luz.

Até mesmo para visitarmos nosso planeta vizinho, Marte, levamos em torno de seis a oito meses de viagem, utilizando motores de naves convencionais. As ideias como fatores de dobras, muito mencionadas na saga Star Trek, de Gene Roddenberry, ainda são apenas ideias - fazem sentido, na teoria, mas estamos longe de vê-las funcionando na vida real. Entretanto, de acordo com o site da Wired, poderia ser possível reduzir o tempo de viagem a Marte em até três meses, utilizando uma nova forma de combustível de fusão: os cristais de dilítio. Sim, os mesmos de Star Trek.

Obviamente, tais cristais não são os mesmos profetizados na série - uma substância tão rara que toda a tripulação da nave gastava uma enorme quantidade de tempo procurando, com um único objetivo: fazer com que seus motores tivessem matéria prima para viajar mais rápido que a velocidade da luz.

A boa nova: um motor como esse está atualmente em desenvolvimento na Universidade de Huntsville, por uma equipe que trabalha em colaboração com a Boeing, a NASA e o Laboratório Nacional de Oak Ridge. O novo protótipo pretende ser duas vezes mais rápido que o atual.

De acordo com a Txchnologist, uma revista online da General Electric, este reator de fusão seria alimentado por "algumas toneladas" de deutério (um isótopo pesado do hidrogênio) e lítio-6 (uma molécula estável de lítio) em uma estrutura cristalina - daí surge o aclamado "cristal de dilítio". Tecnicamente, o dilítio é uma molécula com dois átomos de lítio ligados covalentemente, enquanto o lítio-6 possui seis átomos ligados. Mesmo assim, podemos entender a tentação em utilizar o mesmo nome do combustível da série.

O novo motor, chamado "Charger-1 Gerador de Energia de Pulso", seria construído no espaço, enquanto todo o restante da nave, para evitar as dificuldades de engenharia, seria construído na atmosfera terrestre, assim como a Estação Espacial Internacional. Depois de pronto, o reator seria acoplado à nave e milhões de amperes passariam através dos fios super finos de lítio, em pulsos de 100 nanossegundos. Isso poderia gerar mais de três terawatts de potência. Tais fios se vaporizariam em plasma, que seria recolhido pelo núcleo de deutério e lítio-6, induzindo a uma reação de fusão.

A energia originada da fusão seria forçada para fora da parte traseira da nave, em um fenômeno chamado "pinça-z", utilizando um "bico magnético", que é um componente que também está sendo desenvolvido pela equipe. A potencial energia máxima do motor seria de mais de 100.000 Km/h. Como efeito de comparação, esta é a mesma velocidade da Terra ao dar sua volta ao redor do Sol.

No entanto, de acordo com o Business Insider, é provável que qualquer uso comercial ou científico dessa tecnologia seja permitido apenas com o consentimento do Exército dos Estados Unidos, já que a pesquisa está sendo conduzida com equipamento reaproveitado de projetos militares, além de depender do desenvolvimento de um reator de fusão que gera mais energia do que consome.

Recentemente, a NASA mostrou que queria ir mais longe e mais rápido, planejando fazer com que seus astronautas viajassem na velocidade da luz, desenvolvendo uma dobra espacial parecida com a de Star Trek. Vamos esperar. Quem sabe, daqui a uns 50 anos, não consigamos percorrer distâncias dantes jamais percorridas para "audaciosamente ir aonde nenhum homem jamais esteve"?

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