Nova tecnologia permite usar chapinha para tingir cabelos de qualquer cor

Por Redação | 12.08.2014 às 07:35

Tingir o cabelo de qualquer cor presente no espectro do arco-íris, usar uma chapinha para mudar a cor dos fios quando você quisesse, pintar o cabelo de várias cores e criar visuais incríveis... Isso tudo pode se tornar possível graças a uma pesquisa que está sendo conduzida na Universidade do Novo México e nos Laboratórios Nacionais de Los Álamos, também no Novo México, Estados Unidos.

Mesmo que o perfil dos cientistas e pesquisadores envolvidos no projeto não seja exatamente o de pessoas com longas madeixas multicoloridas, parece que é exatamente esse o campo da cosmética que eles desejam desbravar com seus estudos. Em um novo artigo intitulado "Nanopadronização de graus de difração em cabelos humanos para fins cosméticos", publicado recentemente na revista científica Journal of Cosmetics, Dermatological Sciences and Applications, os cientistas demonstram o potencial da nova técnica.

Todo o processo consiste no uso dos chamados raios de íons para imprimir padrões sobre cabelos humanos e fazer com que a luz refletida gere cores específicas. Essa é uma técnica de engenharia mecânica usada para causar difração dos raios de luz em materiais diversos e que, se aplicada nos cabelos, pode resultar em um método revolucionário de tingimento no campo da cosmética.

Tudo começou no fim de 2009, quando o engenheiro mecânico Bruce C. Lamartine descobriu uma invenção no Laboratório Nacional de Los Álamos que permitia tingir cabelos usando uma técnica sem química e totalmente direcional, que imprimia nanopadrões para que a luz fosse refletida nos fios. Quem sabe essa ideia não atrairia os olhares das grandes companhias de cosméticos? Foi aí que o laboratório financiou a pesquisa e firmou um contrato com a Universidade do Novo México para explorar a nova técnica.

Em 2012, a Procter & Gamble financiou o projeto, almejando ver os resultados em diferentes tipos de cabelos. Uma das amostras contava com fios de cabelos de asiáticos na cor preta, outra com cabelos de europeus na cor castanha e uma terceira com cabelos loiros.

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Imagem microscópica de nanopadrão em espiral impresso em fios de cabelo de cor castanha

A técnica se mostrou mais eficiente nos cabelos castanhos, mas também produziu resultados satisfatórios nos fios loiros e negros. As experiências foram um sucesso, mas o único problema nisso tudo era o preço: que salão de beleza iria pagar um milhão de dólares em uma máquina que cria nanopadrões que mudam a cor dos fios de cabelo de seus clientes? Diante dessa grande barreira, os pesquisadores decidiram colocar um ponto final no projeto, mas não deixaram de pensar em novas possibilidades.

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Porção interna da hipérbole de um padrão impresso em um fio de cabelo

Foi aí que eles começaram a especular se seria possível usar uma simples chapinha para mudar definitivamente a cor do cabelo, criando diferentes níveis de difração sobre os fios. A cor, nesse caso, iria depender da porção do espectro de luz que fosse refletida. Ora, e se fosse possível trocar as chapas de uma prancha alisadora sempre que se quisesse uma nova cor?

"Seria uma das maneiras de fazer o experimento funcionar, e o resultado seria permanente até que o cabelo crescesse de novo", conta Zayd C. Laseman, um dos engenheiros envolvidos no projeto. "A outra ideia seria desenvolver um tipo de condicionador. Algum tipo de polímero que envolvesse os fios de cabelo, e assim, bastava você imprimir um novo padrão usando uma chapinha especificamente desenvolvida para tingir seu cabelo usando uma fonte de calor ou algo do gênero. Assim, seria possível criar os nanopadrões diretamente sobre o polímero que envole o cabelo. Depois, era só lavar para a nova cor sair".

Não é só cosmética

A técnica desenvolvida pelos pesquisadores não acaba nos salões de beleza. Segundo eles, existem várias outras aplicações para essa tecnologia, como em leitores de cartões de crédito para criar uma camada adicional de segurança, ou na identificação de soldados aliados em situações de guerra, se um nanopadrão fosse impresso em seu colete.

E eles vão mais além: dizem que a nova tecnologia pode ser usada para defesa contra ataques terroristas em aviões civis. Imprimir redes de difração na carenagem do avião poderia torná-lo invisível para as miras a laser, que emitem um espectro infra-vermelho no objeto. O novo padrão poderia tornar o alvo invisível quando um raio laser fosse direcionado a ele em pleno voo, confundindo os terroristas e evitando maiores catástrofes.

Lamartine e Leseman estão em busca de empresários e investidores que se interessem pelo projeto e enxergam um bom potencial na tecnologia. Há ainda muito trabalho a ser feito antes que um produto final seja colocado à venda, seja para uso na cosmética ou na indústria bélica. Mas, segundo os idealizadores do projeto, as possibilidades são bastante promissoras.