NASA divulga imagens da Enterprise da vida real que fará viagens interestelares

Por Redação | 12 de Junho de 2014 às 14h27
photo_camera Divulgação

O novo filme de Christopher Nolan, "Interestelar", terá como tema central a busca por outras galáxias para garantir a sobrevivência da humanidade. Claro, ainda estamos a milhões de anos de uma possível extinção, mas a comunidade científica já comprovou que a Terra está à beira de um colapso iminente. E longe dos filmes de ficção científica, podemos estar mais perto de uma realidade na qual viagens interestelares não serão impossíveis.

Prova disso é uma espaçonave que está sendo desenvolvida pela NASA, conhecida como IXS Enterprise – sim, a inspiração para o nome veio do seriado Star Trek. A agência espacial americana divulgou nesta semana imagens que mostram o design desse ambicioso projeto que, um dia, poderá levar os seres humanos a lugares nunca antes alcançados. As fotos foram produzidas pelo artista gráfico Mark Rademaker, da Concept 3D, que trabalhou junto com o físico Harold "Sonny" White para criar o conceito.

Para entender o objetivo por trás da espaçonave, vamos a uma rápida explicação de sua ideia principal. Segundo o site ExtremeTech, o projeto teve início em 2012 e é liderado pelo próprio doutor White, que realiza pesquisas para descobrir futuras maneiras de impulsionar naves para viagens interplanetárias, por meio de propulsores de íons e plasma. Acontece que essas viagens só são possíveis quando se atinge uma rapidez próxima à velocidade da luz, algo em torno de 300 mil quilômetros por segundo.

Graças à velocidade absurda, a nave, equipada com o motor e equipamentos necessários, seria capaz de concluir uma dobra espacial. O conceito de dobra, no inglês conhecido como "warp drive", é baseado nas equações de campo de Albert Einstein e sua Teoria da Relatividade. É a partir dessa teoria que se diz que espaço e tempo são relativos e, consequentemente, permitem que distâncias sejam encurtadas a partir de uma dobra no espaço quando determinados níveis de massa e energia são aplicados ao redor.

Além da teoria de Einstein, o doutor White desenvolveu um trabalho teórico inédito com base na tese do físico Miguel Alcubierre, que afirma ser possível criar um motor capaz de realizar uma dobra espacial sem quebrar as leis da física, ou seja, sem ultrapassar a velocidade da luz no momento da dobra – a lei de Einstein diz que nada pode se mover mais rápido que a luz. Dessa forma, a nave não sofre danos porque dobra o espaço apenas ao seu redor, como se a nave estivesse dentro de uma bolha, mas não supera a velocidade da luz do ponto de vista geral.

Segundo a concepção de White e do artista Rademaker, a espaçonave de dobra é acoplada em dois anéis gigantescos que cercam toda a máquina. Esses anéis são os responsáveis pela propulsão da nave e seu efeito de dobra espacial. Curiosamente, o visual lembra bastante a espaçonave exibida no trailer do filme "Interestelar", no qual um grupo de astronautas tenta utilizar uma dobra no espaço para atravessar galáxias.

O desenho da espaçonave passou por uma atualização e agora está mais próximo da Enterprise da série Star Trek, o que, de acordo com Rademaker, permite que o motor de dobra seja melhor posicionado. Veja as imagens da nova IXS Enterprise na galeria abaixo:

Quando?

Por enquanto, todas essas teorias ainda são... teorias. Contudo, os cientistas estão animados com os progressos e aumentam a expectativa na busca por novas galáxias no universo. Inclusive, White e sua equipe já trabalham na construção de uma versão real motor de dobra na divisão de Liderança Temática de Propulsão Avançada da Diretoria de Engenharia da NASA, localizada no Centro Espacial Lyndon Johnson.

Segundo o Gizmodo, os estudos atuais utilizam um instrumento chamado Interferômetro de Campo de Dobra White-Judy, uma plataforma de experimentação que, em outras palavras, vai tentar gerar e detectar uma instância microscópica de bolha de dobra. Esta seria uma prova concreta de que dobras espaciais são possíveis. Outros testes realizados em laboratório indicaram ser improvável que um mecanismo de dobra espacial resulte na aniquilação de estrelas, e que a quantidade de energia (ou combustível) necessária para concluir as viagens não é tão grande.

White fez uma estimativa de que, caso os experimentos sejam bem sucedidos, no futuro será possível viajar até a Alpha Centauri "em duas semanas medidas pelos relógios aqui da Terra" – na velocidade atual, ela está a 4.367 anos-luz de distância do nosso planeta. O físico ainda diz que o tempo levado na viagem seria o mesmo da Terra e que "forças extraordinárias" não afetariam a espaçonave dentro da bolha. No vídeo abaixo, a partir do 40º minuto, White explica em detalhes sua pesquisa (em inlgês):

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