Minhocas são capazes de transformar metal em pequenos semicondutores

Por Redação | 05 de Janeiro de 2013 às 13h42
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As minhocas são muito conhecidas por sua capacidade de arar o solo e torná-lo mais fértil, e também por servirem como iscas para pesca. No entanto, pesquisadores da King's College, em Londres, Inglaterra, descobriram que esses pequenos seres também possuem uma capacidade especial: transformar metal em semicondutores.

Os cientistas criaram um grupo de minhocas vermelhas comuns (Lumbricus rubellus) em um solo contaminado com metais. As minhocas, por sua vez, foram capazes de produzir pontos quânticos, do tamanho de nano-semicondutores, que são utilizados em tecnologias de LED e painéis solares. Elas foram capazes de criar esse material graças a sua capacidade de desintoxicar seu próprio organismo.

Quando os vermes ingerem o metal, proteínas em seu corpo enviam essas 'toxinas' para seus tecidos - células esta chamadas de Chloragogen, que possuem função similar à do fígado no organismo dos mamíferos. No caso do metal cádmio, uma molécula chamada metalotioneína o elimina para fora do corpo do indíviduo. Muitas etapas químicas no organismo da minhoca são realizadas para que as toxinas, no caso os metais, sejam separadas dos nutrientes, armazenados em minúsculas cavidades do corpo do animal, para depois serem eliminados.

No experimento, os pesquisadores aplicaram no solo cloreto de cádmio e telurito de sódio (combinação de sódio, telúrio e oxigênio), pois não se sabia se as minhocas seriam capazes de processar o telúrio presente no telurito de sódio. As minhocas acabaram produzindo pequenas partículas de telurito de cádmio, composto cristalino que também é um tipo de semicondutor.

Em biologia, esses pontos quânticos produzidos pelas minhocas são usados em substituição aos corantes, pois eles podem ser 'afinados' para brilhar em comprimentos de ondas específicos. Os pontos de telurito de cádmio, por exemplo, são capazes de brilhar na cor verde quando expostos a uma luz azul.

Minhocas vermelhas

Os pesquisadores ainda planejam melhorar o processo de produção dos pontos quânticos

Mark Green, co-autor do estudo, afirmou que o sucesso dos experimentos se deve ao fato de que eles utilizaram uma centena de minhocas e que elas foram expostas aos metais para a produção dos pontos. "A parte interessante é que os pontos quânticos de semicondutores, que emitem luz, foram produzidos em um animal vivo", explicou Green à NBC News. "O objetivo do projeto não era chegar a um novo processo sintético de produção de pontos que são melhores do que os produzidos com materiais sintéticos, foi para ver se conseguíamos fazer química em estado sólido no corpo de um animal vivo - e parece que nós podemos".

Os pontos quânticos produzidos pela equipe de Green a partir do processo químico no corpo das minhocas não possui as mesmas qualidades da versão criada em laboratório, mas os cientistas acreditam que eles podem melhorar o processo.

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