Jipe-robô Curiosty completa um ano marciano com 'selfie' e grandes descobertas

Por Redação | 25.06.2014 às 11:43
photo_camera Washington Times

A ideia de povoar outros planetas talvez pareça um sonho distante, mas não impossível. E um importante passo para esse objetivo aconteceu há dois anos, quando a agência espacial americana, a NASA, enviou a Marte o jipe-robô Curiosity. Nesta terça-feira (24), a sonda completou um ano marciano – o equivalente a 687 dias terrestres –, e para comemorar o aniversário, a agência divulgou uma selfie tirada pela máquina.

Na verdade, a foto é a união de dezenas de outras imagens registradas pela Curiosity entre abril e maio de 2014, todas elas feitas com a Mars Hand Lens Imager, uma câmera acoplada ao braço robótico da sonda que ajuda no reconhecimento do solo e ambiente do planeta vermelho.

Em comunicado oficial, a NASA destaca que a missão principal da Curiosity foi cumprida com sucesso: determinar se Marte já teve condições ambientáveis favoráveis à vida microbiana e se o local tem hoje evidências que preservam essas mesmas condições. A sonda pousou no planeta em agosto de 2012 com o objetivo de chegar a uma área conhecida como Yellowknife Bay, onde está localizada a Cratera Gale. A partir daí, o robô fez diversas descobertas que intensificam a teoria de que Marte já abrigou vida.

Um desses indícios foi um antigo leito de curso de água. O jipe recolheu amostras de solo e atmosferas que posteriomente foram analisadas pelos cientistas. Eles concluíram que o local possuiu elementos propícios e essenciais para a vida, entre eles a água, há bilhões de anos, e que, se Marte teve organismos vivos em sua história, a Cratera Gale seria um local perfeito para o desenvolvimento dessas "espécies".

Outras descobertas lembradas pela agência espacial incluem a avaliação dos níveis naturais de radiação do planeta durante o voo até chegar à superfície marciana. Estes dados, segundo a entidade, fornecem uma orientação mais precisa de todo o equipamento necessário para proteger os astronautas em futuras missões humanas a Marte. Além disso, os cientistas constataram que as rochas do planeta expostas à radiação podem ajudar a calcular quando a água do solo marciano chegou a fluir até à superfície.

Curiosity

O jipe-robô da agência espacial americana tira uma "selfie" para comemorar seu primeiro ano marciano. (Foto: Divulgação/NASA)

A Curiosity também passou por uma região chamada Windjana, onde recolheu amostras do solo para análise. De acordo com John Grotzinger, um dos pesquisadores do projeto Curiosity do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, o local servirá como base de estudo para identificar se as rochas da região passaram por alguns processos geológicos mais complexos, como por exemplo episódios múltiplos de fusão, além de detectar se houve água corrida.

"É muito cedo para conclusões, mas esperamos que os resultados nos ajudem a ligar o que aprendemos em Yellowknife Bay com o que vamos aprender no Monte Sharp. Windjana está ainda dentro da área onde um rio corria. Nós vemos sinais de uma história complexa de interação entre água e rocha", explica Grotzinger. O jipe-robô deixou Windjana em meados de maio e agora se dirige para o oeste.

O Monte Sharp é outra parte importante da missão. Com 5.500 metros de altura, ele está localizado em uma região cercada de montanhas no centro da Cratera Gale. É lá que a Curiosity deve encontrar mais evidências não apenas de habitabilidade no planeta vermelho, mas também de como os ambientes evoluíram e quais condições favoreceram a preservação de elementos que, ao que tudo indica, comprovam que Marte abrigou vida em seu passado.

Para chegar até o Monte Sharp, o robô terá de passar por uma lacuna ao norte da montanha que está aproximadamente a 3,9 km de distância da posição atual do rover. Segundo a equipe de cientistas, o grande desafio é que a Curiosity consiga atravessar o percurso de forma segura, já que o local contém áreas de solo arenoso e rochoso que podem representar uma ameaça à sonda – pelo menos em longo prazo. "Quando estamos explorando outro planeta, há que se esperar surpresas", disse Jim Erickson, gerente do projeto da Curiosity Mars.

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