Implante espinhal pode ajudar deficientes físicos a andar novamente

Por Redação | 12 de Janeiro de 2015 às 12h55
photo_camera Divulgação

Cientistas franceses podem ter dado um passo importante para a recuperação de pessoas com paralisia nas pernas. Em um artigo publicado na revista Science, os especialistas explicam que o novo método permitiu que ratos com lesões na coluna vertebral voltassem a andar após um implante de um “inovador” mecanismo no estilo ciborgue. As informações são do Telegraph.

A nova tecnologia desenvolvida pelos cientistas parece realmente tirada de uma ficção científica. No método, os especialistas criaram uma fita protética, incorporada com eletrodos, que é implantada ao longo da medula espinhal e fornece impulsos elétricos e drogas que permitiram que os ratos com paralisia voltassem a andar após algumas semanas de treinamento.

Cientistas britânicos descreveram a descoberta francesa como “notável” por ela ser suave e dobrável, permitindo que ela se adeque ao tecido da espinha dorsal e não cause desconforto. Os profissionais da Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne acreditam que em breve poderão iniciar testes em seres humanos. Segundo eles, o dispositivo pode durar até 10 anos no corpo humano antes que tenha que ser substituído.

O implante recebeu o nome de “e-Dura” e se diferencia de tentativas anteriores de usar impulsos elétricos, pois imita o tecido mole que possuímos ao redor da coluna vertebral e dessa forma não é rejeitado pelo corpo. “Nosso implante e-Dura pode permanecer por um longo período de tempo sobre a medula espinhal ou córtex”, explicou a professora Stéphanie Lacour. “Isso abre novas possibilidades terapêuticas para pacientes que sofrem de trauma ou doenças neurológicas e particularmente indivíduos que ficaram paralisados após uma lesão na medula espinhal”, completou.

Estudos anteriores que tentaram usar implantação de produtos químicos e eletrodos na coluna vertebral para dar estímulos ao cérebro conseguiram fazer com que ratos conseguissem se mover involuntariamente quando colocados sobre um tapete rolante. No entanto, este é o primeiro estudo no qual o resultado é um mecanismo que ajuda os ratos a voltarem a andar e que é aceito pelo organismo.

O mecanismo é feito de silício e revestido com faixas condutoras de ouro, que podem ser puxadas e esticadas. Já os eletrodos são feitos de silício e micropérolas de platina, que também são flexíveis e podem ser dobradas em todas as direções. A equipe de Lacour ainda precisa aprimorar o mecanismo para que ele possa ser seguro e aplicável fora dos laboratórios. Entre os desafios está o desenvolvimento de uma versão sem fio da tecnologia.

A pesquisa foi elogiada por cientistas britânicos, que afirmaram que ela é uma “realização inovadora”, e que tem um “potencial de ser muito promissora para as aplicações em pessoas com lesões na coluna vertebral”. O cientista Dusko Ilic, do Kings College London, afirmou que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que se possa fazer o uso prático dessas tecnologias, mas “é possível que ela seja algo que poderia ser potencialmente desenvolvido para a utilização em seres humanos em um futuro previsível”.

Os pesquisadores franceses responsáveis pelo estudo acreditam que nos próximos anos será possível iniciar aplicações em seres humanos para uma fase inicial de testes.

Fonte: http://www.telegraph.co.uk/news/science/science-news/11333719/Cyborg-spinal-implant-could-help-paralysed-walk-again.html

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