Godzilla das Terras: cientistas descobrem planeta gigante que pode abrigar vida

Por Redação | 03 de Junho de 2014 às 08h55
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As buscas por novos planetas fora do nosso sistema solar continuam a todo vapor. Só neste ano, na categoria de exoplanetas – aqueles que não giram em torno do Sol –, a Agência Espacial Americana (NASA) descobriu mais de 700 corpos celestes, número recorde que representa 70% da quantidade de descobertas feitas nos últimos 23 anos.

Muitos desses planetas apresentam condições potencialmente favoráveis para a formação de vida. E um deles, batizado de Kepler-10c, foi anunciado esta semana por astrônomos norte-americanos. Mas a semelhança com a Terra não é o único destaque dessa recente descoberta. Dimitar Sasselov, pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, afirmou durante uma apresentação na reunião anual da Sociedade Americana de Astronomia que o Kepler-10c já pode ser considerado como o "Godzilla das Terras" por ser rochoso, ter 2,3 vezes o diâmetro e 17 vezes a massa do nosso planeta.

O Kepler-10c foi detectado com ajuda de um instrumento do Telescópio Nazionale Galileo (TNG), nas Ilhas Canárias, onde também foi medida a massa do astro. O planeta está localizado a cerca de 560 anos-luz da Terra, na constelação de Draco (Dragão) – uma das mais antigas do universo –, e orbita em torno de uma estrela semelhante ao Sol, demorando 45 dias para completar uma volta inteira. Para se ter uma ideia, essa distância é maior que a do Kepler-186f, o primeiro planeta descoberto fora do sistema solar que é quase do mesmo tamanho que a Terra e que pode abrigar água em estado líquido.

Os astrônomos acreditam que a idade do planeta é de 11 bilhões de anos, o que significa que ele nasceu três bilhões de anos depois do Big Bang, considerada pela ciência como a grande explosão que deu origem ao universo, há cerca de 13,8 bilhões de anos. Como informa o jornal O Globo, os cientistas acreditavam que grandes corpos rochosos como o Kepler-10c terminariam como os núcleos de gigantes gasosos como Júpiter. Isso porque esses enormes planetas atraem grandes quantidades de hidrogênio presente nas nuvens em torno das estrelas que dão origem aos sistemas planetários.

No entanto, graças a descoberta do Kepler-10c, os cientistas terão de rever as teorias sobre a evolução do universo e o possível surgimento de vida em outros planetas. Isso tem uma explicação: o universo primordial continha apenas hidrogênio, hélio e uma pequena quantidade de lítio, os três elementos mais leves da tabela periódica. Elementos mais pesados e necessários para formar planetas rochosos, como ferro, silício e níquel, só começaram a surgir no interior das primeiras gerações de estrelas que, ao explodirem, espalharam esses elementos pelo universo.

Todo esse processo levou bilhões de anos e o Kepler-10c é uma prova de que planetas com estruturas rochosas parecidas com a da Terra também se formaram muito cedo, mesmo em condições adversas às formas de vida que conhecemos e quando componentes mais pesados presentes nas primeiras estrelas ainda eram raros. Para efeito de comparação, a Terra tem menos da metade da idade do Kepler-10c, "apenas" 4,6 bilhões de anos.

"A descoberta do Kepler-10c nos diz que planetas rochosos puderam se formar muito antes do que pensávamos. E se você pode construir rochas, pode também criar vida", disse Sasselov. A tendência é que outras "megaterras" sejam descobertas nos próximos anos, mas dificilmente chegaremos até eles devido às grandes distâncias.

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