Descoberta técnica para tornar órgãos e tecidos completamente transparentes

Por Redação | 04 de Agosto de 2014 às 12h10

Cientistas realizaram testes em roedores e descobriram uma maneira de tornar o corpo totalmente transparente, facilitando a visualização das estruturas. Um artigo explicando como a técnica funciona saiu na revista Cell, e acredite: é possível manter todos os órgãos e tecidos intactos, enquanto se mantém determinandos componentes do corpo visíveis para estudos ou intervenções.

A novidade pode ser a porta de entrada para uma nova era de exames de imagem, facilitando o tratamento. Além de permitir visualizar estruturas inteiras sem dificuldades, a técnica também pode vir a ser usada para detectar a propagação de vírus e até mesmo de células cancerígenas em tecidos humanos.

Durante quase um século, pesquisadores tentaram descobrir um método de visualização através dos órgãos de um paciente in situ. No entanto, todas as técnicas utilizadas até então lesavam estruturas e danificavam partes do corpo, tornando-se altamente inviáveis.

EstudoGradinaru

Por meio da técnica de transparência, será possível visualizar caminhos percorridos por nervos e células em órgãos e tecidos diversos do corpo humano (Imagem: Yang et al., 2014).

Visão além do alcance

Graças às moléculas lipídicas presentes nas células, é possível conseguir uma distorção dos raios de luz, que faz com que os tecidos em que elas estejam presentes se tornem opacos e fáceis de visualizar. Entretanto, os processos usados até então para dissolver essas moléculas acabaram privando os órgãos deste elemento vital para o suporte estrutural, resultando em uma massa de uma material amorfo.

Agora, os pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, chefiados pela Dra. Viviana Gradinaru, conseguiram alcançar seu objetivo, que vem a ser o sonho de muitos profissionais da área de saúde, por meio de um novo tipo de procedimento. A técnica contém três estágios:

  • Uma malha flexível com características de plástico mole oferece suporte aos tecidos;
  • Daí então, um detergente molecular é injetado na corrente sanguínea do indivíduo e dissolve todas as moléculas de lipídeos presente nos órgãos, que antes eram responsáveis por deixá-los opacos, tornando-os agora transparentes;
  • Corantes específicos e marcadores de moléculas podem ser adicionados à infusão para evidenciar as conexões e estruturas mais importantes dentro da área do corpo que se deseja visualizar.

Usando roedores como cobaias, os cientistas conseguiram aplicar o método e tornar rins, corações, pulmões e intestinos completamente transparentes, dentro de um prazo de apenas três dias. Os pesquisadores conseguiram tornar todo o corpo dos roedores transparente em apenas duas semanas.

EstudoGradinaru

Rato após uma semana de clareamento tecidual. (A) vista dorsal, (B) vista ventral, (C) vista do cérebro do organismo antes de ficar completamente transparente (Imagem: Yang et al., 2014).

O método foi tão eficiente que foi aplicado em amostras encaminhadas para biópsia de pacientes com câncer. Assim, foi possível verificar a propagação das células malignas e calcular a proporção que a doença estava tomando nos órgãos acometidos.

A pesquisa foi realizada in vitro, ou seja, conduzida em ratos sacrificados e em amostras de tecidos humanos retiradas durante cirurgias. Ainda não foram feitos testes em organismos vivos.

No futuro

De acordo com os pesquisadores, a nova técnica teria muitas aplicações no futuro. Por exemplo: seria possível traçar e acompanhar os caminhos de neurônios e fibras nervosas por todo o corpo humano para rastrear exatamente onde há focos de virus ocultos em meio aos tecidos.

O foco da equipe, agora, é colaborar com outros profissionais de medicina e biologia molecular para examinar o tecido cerebral de pessoas com algum tipo de demência. Segundo eles, comparar esses tecidos com os de cérebros sadios irá permitir com que sejam descobertas potenciais diferenças entre eles, principalmente no que diz respeito a números e padrões celulares. Isso seria inédito no ramo da medicina.

"Este é, provavelmente, um dos avanços mais importantes da neuroanatomia em décadas de estudos", comemora Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos. Segundo relatos da autora principal do artigo, Dra. Viviana Gradinaru, à BBC News, "esta é a realização dos sonhos dos biólogos". E que venham os resultados.

Fonte: http://www.bbc.com/news/health-28582452

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