Conheça a Curiosity, a sonda mais bem equipada para explorar o solo de Marte

Por Fernanda Morales | 06.08.2012 às 12:23

O projeto de exploração de Marte da NASA ganhou mais um capítulo na noite deste domingo (5) com a sonda Curiosity pousando com sucesso no solo do planeta. A sonda irá vasculhar o terreno marciano em busca de indícios da existência de vida no território.

Curiosity Marte

A sonda irá buscar por indícios de existência de vida no planeta

A expedição já está em sua terceira etapa, contando com etapas anteriores feitas pelas sondas Spirit e Opportunity. A sonda Spirit iniciou sua missão em 2004, tendo permanecido no planeta até 2009, fazendo análises geológicas do terreno e reconhecendo o local. O veículo não tripulado perdeu contato com a Terra no começo de 2010, mas ficou mais tempo em operação no planeta do que o estimado pelos pesquisadores.

Já o robô Opportunity chegou a Marte apenas três semanas depois do Spirit e partiu em busca de indícios de existência de água. A missão, estimada para durar apenas três meses, já dura oito anos com a sonda enviando fotografias para a Terra de evidências de períodos úmidos e secos no planeta.

A sonda Curiosity é a mais completa a pousar no planeta e é composta por 10 instrumentos científicos que deixam o robô dez vezes mais pesado e com o dobro do tamanho de seus antecessores. O robô é capaz de colher amostras do solo marciano e analisá-las em um 'laboratório' interno, com o auxílio de câmeras de alta precisão e espectrômetros, que analisam o espectro eletromagnético.

De acordo com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, a sonda, que pesa uma tonelada, é capaz de percorrer até 200 metros por dia no território e subir em elevações de até 65 metros de altura. O robô é alimentado por um gerador radioativo com plutônio-238, que garante energia suficiente para 678 dias terrestres de exploração em Marte.

O robô é equipado com uma câmera principal, formada por duas com resolução de 2 megapixels, e capaz de gravar imagens em três dimensões. Os 'olhos' do robô ainda são capazes de gravar imagens em alta definição e toda vez que ele mudar de localização, a equipe na Terra receberá uma imagem panorâmica do novo espaço onde ele está.

Sonda Curiosity

A Curiosity é a sonda mais bem equipada e capaz de captar imagens em 3D

Para fazer as análises do solo, a sonda é equipada com um laser de aquecimento, capaz de derreter parte do solo a cerca de sete metros de distância, podendo, junto com um telescópio de 110 mm, analisar os elementos químicos do solo.

Além disso, o veículo possui uma câmera colorida que permitirá que os pesquisadores apliquem zoom sobre as imagens de rochas e elementos do solo. A câmera foi inspirada nas lupas utilizadas por geólogos, garantindo a visualização completa do formato de cristais e rochas.

O 'laboratório' interno da Curiosity é o equipamento mais pesado do robô, possuindo mais de 600 metros de fios e capaz de aquecer amostras a até 1,8 mil°C. O equipamento irá ajudar os pesquisadores a identificar os elementos necessários para a existência de vida como carbono, hidrogênio, nitrogênio, fósforo, oxigênio, enxofre entre outros.

O robô também possui uma estação de monitoramento do clima e de temperaturas, um detector de avaliação e monitoramento de radiação, que irá monitorar partículas de alta energia como, por exemplo, supernovas. A radiação, por sua vez, pode ser muito perigosa para expedições de astronautas.

O local escolhido para a aterrissagem do robô foi a cratera de Gale, o principal local na superfície do planeta capaz de conter indícios de existência de vida (por ser um dos pontos mais baixos do planeta, acredita-se que possíveis rios existentes no passado teriam arrastado sedimentos e materiais orgânicos para lá).

A missão do Curiosity visa preparar o terreno para futuras expedições que serão capazes de determinar a existência de vida e até para uma missão tripulada em um futuro próximo.

Segundo o Space, pesquisadores que participaram do projeto Viking I de 1976, experimento pioneiro da NASA para identificar presença de vida no Planeta Vermelho, afirmam que a nova sonda é a mais eficaz para trazer novos resultados para a pesquisa. As câmeras em alta definição do robô deverão trazer novos dados que permitirão uma reavaliação da pesquisa anterior.

Há cerca de 36 anos, o Viking I injetou uma pequena porção de nutrientes radioativos em um dedal cheio do solo de Marte e observou o aumento de gás radioativo e, consequentemente, de metabolismo. O experimento conseguiu identificar que no solo marciano existem reações biológicas efetivas, porém, depois de muitos testes, os resultados de vida no território ainda são duvidosos.

Com os dados que serão apresentados pela Curiosity ao longo do próximo um ano e meio, a NASA e a agência espacial russa já disputam qual será o primeiro país a enviar um astronauta para o solo de Marte. Acredita-se que a primeira missão tripulada acontecerá até o ano de 2022, com expedições provisórias e até definitivas para o planeta.