Curiosidade: conheça um pouco sobre a recarga sem fios

Por Muni Perez

Os smartphones estão cada dia melhores, porém todos eles empacam em um aspecto: duração da bateria. Os fabricantes lutam para fazer um balanço ideal entre capacidade de armazenamento de carga e tamanho físico dos aparelhos, sendo essa uma das maiores barreiras tecnológicas da indústria no momento.

Enquanto existem pesquisas para aumentar a capacidade de carga das baterias, ainda vai demorar alguns anos até que possamos usufruir do benefício, e nesse meio tempo os fabricantes se voltam para maneiras mais práticas e rápidas de recarregarmos nossos gadgets. Uma delas é a recarga sem fios, que está se tornando um recurso cada vez mais presente nos smartphones.

Carregador sem fio iPhone

Uma cena muito comum em aeroportos, rodoviárias, escritórios, restaurantes e outros locais públicos são pessoas “presas” à parede esperando seus dispositivos carregarem – eles estão conectados na tomada, obviamente, e é nesse ponto que essa tecnologia quer melhorar nossa vida.

Um dos maiores problemas que enfrentamos hoje em dia é o aumento exponencial da potência dos processadores dos aparelhos, e isso se traduz em consumo elevado de bateria, visto que a capacidade de carga continua limitada. Segundo Rahul Mangharam, professor de engenharia elétrica na Universidade da Pensilvânia, 2014 é o ano em que a indústria de recarga sem fios irá engrenar de vez.

Mangharam explica ao Business Insider que hoje em dia já temos uma distância muito grande entre o poder de processamento dos aparelhos e a capacidade de armazenar energia, e que em 2020 o problema será ainda maior.

Pensando nisso, vamos explicar um pouco sobre essa tecnologia tão interessante, e que em um futuro próximo deve estar em todos os lugares para energizar nossos gadgets com praticidade.

História

Na realidade, tudo começou em 1831, quando Michael Faraday, um dos grandes cientistas da humanidade, descobriu o conceito de indução magnética, que é quando um circuito que está circulando corrente gera uma corrente em outro circuito próximo.

Michael Faraday

Funcionamento

A indução funciona, a grosso modo, da seguinte maneira: um transmissor produz a corrente no campo magnético ao redor, e a carga no ar produz a corrente na bobina de um receptor, que pode então recarregar o dispositivo.

Até poucos anos atrás, ninguém tinha muito interesse na tecnologia porque não existia muito uso prático para isso no dia a dia. O primeiro “grande” uso foi para recarregar escovas de dentes elétricas, o que obviamente não chamaria a atenção de muita gente. E também, as baterias dos celulares da época duravam muito mais dias sem precisar de recarga.

Mas, como ultimamente o consumo dos processadores e telas tem aumentado muito, a recarga por indução começou a entrar em foco como uma maneira de contornar o problema do baixo armazenamento das baterias.

Quem está no jogo

Atualmente existem dois padrões e consórcios de recarga sem fio mais próximos do mercado, como ocorre em todo setor da indústria, e cada um tem um foco diferente.

O primeiro é o Wireless Power Consortium (WPC), com seu padrão “Qi”. Esse consórcio é formado pela Microsoft, Verizon, Samsung, Sony e mais de 500 outras empresas menores e startups. Seu foco principal são smartphones e outros aparelhos com baixo consumo de energia, como wearables (relógios inteligentes, por exemplo).

Já o segundo consórcio é o Alliance for Wireless Power (A4WP - literalmente Aliança para a Energia Sem Fios), que utiliza uma tecnologia similar à do anterior, porém o foco é a transmissão de uma maior quantidade de energia para dispositivos maiores, como consoles para jogos e outros eletrodomésticos. Alguns dos membros da A4WP são Canon, Dell, HTC, Intel e Qualcomm.

Um aspecto importante em comum entre os dois consórcios é que ambos trabalham para desenvolver o tipo de recarga em que é necessário colocar o dispositivo em uma superfície, parado.

Uma empresa que desenvolve soluções para recarga sem fios é a Powermat, da Duracell. Ela projeta mesas e balcões com áreas específicas onde você pode colocar seu smartphone pra carregar, e recentemente fez até uma parceria com a Starbucks para colocar suas mesas nas lojas da franquia.

Porém, apesar de ser prático, ainda temos que deixar o aparelho parado em uma superfície, e esperar ele carregar. Isso pelo menos elimina a necessidade de sair andando com um carregador por aí.

Uma alternativa para contornar esse problema seria criar uma espécie de caixa que carregaria tudo o que estivesse dentro. A Intel até apresentou um protótipo de uma “cuia” de recarga, em que bastava jogar o aparelho lá dentro para que ele fosse carregado. A idéia até que é prática, se por exemplo, você colocasse uma dessas cuias na entrada de casa, e ao chegar bastaria deixar os gadgets lá dentro, ao invés de ter de recarregar um por um.

Porém, mesmo assim, ainda ficaríamos presos a deixar o smartphone parado por um tempo, e é aí que entram iniciativas como a de um grupo coreano, o uBeam.

Iniciativa Coreana

Um grupo de pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coréia do Sul (KAIST, em inglês), desenvolveu um protótipo capaz de recarregar até 40 smartphones de uma só vez, a uma distância de até 5 metros, usando uma tecnologia de indução própria.

KAIST

O modelo ainda é muito caro para uso individual, mas seria muito útil em locais públicos e escritórios: imagine sentar em uma praça com Wi-Fi grátis e que ao mesmo tempo recarrega seu aparelho enquanto você usa? É assim que funciona o protótipo.

Apesar das aparentes vantagens, a tecnologia ainda não está pronta para uso em grande escala. Primeiro, obviamente, pelo alto custo de produção, e segundo porque a eficiência da transmissão de energia por indução magnética a longas distâncias é baixa – apenas 50% do que se transmite é recebido pelos dispositivos.

Daqui a alguns anos, com o aprimoramento dos componentes para um uso mais eficiente, é possível que tenhamos tais locais de recarga públicos.

uBeam

A empresa uBeam toma outra rota para a transmissão da energia sem fios: ondas de ultra-som. A energia no transmissor é transformada em ondas sonoras, que são transmitas pelo ar (lembre-se que ondas transportam energia), e em seguida um receptor transforma essas ondas em eletricidade novamente.

Obviamente, nós não seríamos ensurdecidos ou extremamente incomodados com o “som de recarga”, porque as ondas transmitidas são em frequências muito acima do que o ouvido humano pode perceber.

uBeam

Com o ultra-som, seria possível ligar o transmissor e continuar usando o smartphone livremente pelo ambiente, já que as ondas se propagam para todos os lados.

A tecnologia é promissora e a empresa tem gerado boas expectativas – inclusive de nomes fortes do mercado, apesar de enfrentar ceticismo de especialistas.

Segundo Meredith Perry, a fundadora da uBeam, a companhia está se preparando para lançar um produto comercial em até 2 anos.

Riscos à saúde

Perigo a saude

Os riscos que as ondas eletromagnéticas representam para a saúde humana são um assunto muito controverso. Aqui no Brasil pouca gente se importa com isso, mas nos EUA o assunto já tem dado bastante o que falar, e em alguns estados as lojas são obrigadas a informar o nível de emissão de radiação de cada aparelho.

Obviamente, então, existe a preocupação sobre ondas circulando pela nossa casa em uma intensidade grande. Com isso em mente, os dois consórcios afirmam que estão trabalhando ativamente para deixar as tecnologias completamente seguras.

O consórcio WPC, inclusive, publicou diretrizes sobre limites de exposição às ondas eletromagnéticas baseadas nas recomendações de um comitê científico alemão chamado ICNIRP, afirmando que não há evidência de conexões entre câncer e outros problemas de saúde quando esses níveis e padrões são observados.

O principal ponto é que as ondas eletromagnéticas são categorizadas como radiação não-ionizante, e portanto acredita-se que sejam inofensivas. Porém, quando elas são muito fortes, ficar perto dos transmissores pode trazer riscos à saúde.

Segundo Mangharam, a transmissão de energia através de campos magnéticos não representa os mesmos riscos que a transmissão através de campos elétricos – que poderia eletrocutar quem estivesse na área.

Com isso em vista, os produtos atualmente no mercado não transmitem uma quantidade de energia alta o suficiente para apresentar riscos, mas caso a tecnologia evolua para transmitir carga a maiores distâncias e com maior potência, a questão da saúde passará a ser um assunto mais em foco.

Celulares e carregadores sem fio

Muitos smartphones vendidos no Brasil já dão suporte à recarga sem fio, mas é muito difícil encontrar os carregadores nas lojas de varejo convencionais, sendo necessário comprá-los em sites como o Mercado Livre ou importadoras. O Nokia Lumia 920 é um dos poucos que a base carregadora é vendida no próprio site da empresa, por R$ 199,00.

Carregador sem fio Lumia 920

Como outro exemplo, encontramos esta base carregadora para o Galaxy S4, no valor de R$ 276,00.

carregador sem fio galaxy s4

Demais smartphones

O site AndroidCentral fornece a seguinte lista dos smartphones compatíveis com a recarga sem fio:

  • HTC Droid DNA
  • HTC Droid Incredible 4G LTE
  • HTC Droid Incredible 2
  • HTC Rezound
  • LG G3
  • LG G3 Prime
  • LG G3 Cat 6
  • LG Optimus G Pro 2
  • LG Optimus G Pro
  • LG Spectrum
  • LG Optimus
  • LG Lucid 2
  • Google Nexus 4
  • Google Nexus 5
  • Motorola Droid Maxx 2
  • Motorola Ultra M
  • Motorola Droid Bionic
  • Samsung Galaxy Note 2
  • Samsung Galaxy Note 3
  • Samsung Galaxy Note 4
  • Samsung Galaxy Note Edge
  • Samsung Galaxy S3
  • Samsung Galaxy S4
  • Samsung Galaxy S5
  • Sony Z3v

Além disso, muitos outros smartphones, como o próprio iPhone, ganham a funcionalidade através de capas carregadoras especiais, mas que no geral aumentam um pouco o volume do aparelho.