Cientistas descobrem exoplaneta onde um dia dura apenas 8 horas

Por Redação | 02.05.2014 às 08:15 - atualizado em 05.05.2014 às 09:45
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Se você é daquelas pessoas que vivem preocupadas com a quantidade de coisas para fazer em "tão pouco tempo", pode esquecer visitar Beta Pictoris b, um exoplaneta recém-descoberto pelo telescópio Very Large Telescope, do Laboratório Europeu Austral. Acontece que o astro gira muito mais rápido do que o nosso planeta e o dia por lá dura apenas 8 horas.

O Beta Pictoris b é 16 vezes maior e possui massa 3 mil vezes superior que a da Terra, fica a 63 anos-luz de distância e tem 20 milhões de anos, sendo um dos exoplanetas mais jovens descobertos dentro dos padrões astronômicos - a Terra tem 4,5 bilhões de anos. De acordo com o jornal O Globo, ele está em órbita da estrela Beta Pictoris, que é visível a olho nu e fica na constelação austral do Pintor, localizada no Hemisfério Celestial Sul. Os pesquisadores descobriram a existência do astro em 2008.

Para calcular a velocidade de rotação do exoplaneta os astrônomos usaram uma técnica conhecida como espectroscopia de alta dispersão para separar a luz nas suas cores constituintes. Basicamente, o recurso consiste em medir as mudanças nos comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta para então determinar sua velocidade de giro. Além disso, foi aplicado o princípio do efeito Doppler (também conhecido como desvio de Doppler), uma outra técnica que permitiu detectar a velocidade de rotação do planeta.

Ao final de todo o processo, a equipe de pesquisadores da Universidade de Leiden e do Instituito Holandês de Investigação Espacial (SRON, na sigla holandesa) constatou que o Beta Pictoris b gira a uma velocidade de 100 mil km/h, ou 25 km por segundo. Para se ter ideia do quão rápida é sua rotação, a atmosfera de Júpiter gira aproximadamente a 47 mil km/h, enquanto a Terra a 1.700 km/h. O ciclo de um único dia do Beta Pictoris b é menor do que qualquer outro planeta do Sistema Solar.

"Não sabemos porque alguns planetas giram mais depressa que outros. Mas essa primeira medição da rotação de um exoplaneta mostra que a tendência observada no Sistema Solar, de que os planetas de maior massa giram mais depressa, pode se aplicar de igual modo aos exoplanetas. Isso nos leva a pensar que esse efeito deve ser alguma consequência universal do modo como os planetas se formam", explica Remco de Kok, coautor da pesquisa.

No entanto, os astrônomos afirmam que o Beta Pictoris b ainda é um planeta jovem e quente e, com o passar do tempo, vai acelerar ainda mais sua velocidade até resfriar e encolher. Alguns processos podem influenciar no ritmo de giro do astro, como as condições climáticas do próprio planeta e da atmosfera.

Exoplanetas

exoplaneta onde um dia dura apenas 8 horas

(Fonte: NASA)

2014 já pode ser considerado como o ano em que mais foram anunciados exoplanetas. Foram 736 novos corpos celestes revelados pela Agência Espacial Americana, a NASA - 715 só em fevereiro deste ano, de uma vez só. O número é recorde e representa 70% da quantidade de descobertas dos últimos 23 anos.

Os exoplanetas são planetas que não giram em torno do Sol, ou seja, estão fora do nosso sistema. Eles são identificados pelo telescópio Kepler, que orbitava em torno do Sol e capturava imagens em alta resolução de estrelas distantes, permitindo a descoberta de novos astros. O Kepler parou de funcionar em maio de 2013 devido a alguns problemas técnicos, mas seu banco de dados é tão grande que não foi completamente analisado, permitindo que a NASA encontre novos exoplanetas.

Foi em uma dessas milhares de imagens que a agência descobriu o Kepler-186f, um planeta de tamanho aproximado ao da Terra que pode abrigar água em forma líquida, tornando o ambiente potencialmente habitável para os seres humanos. Ele orbita a estrela anã Kepler-186 e fica na constelação Cisne. O problema é que o astro está muito distante do nosso planeta e talvez nunca cheguemos até ele.