Cientistas ainda tentam responder: há água líquida em Marte?

Por Redação | 18 de Fevereiro de 2014 às 18h18

Mal desvendaram o mistério da rocha em forma de rosquinha, algo que causou inúmeras especulações sobre a existência de vida em Marte, os cientistas da Agência Espacial Norte-americana (NASA) já têm um novo desafio a resolver: ainda existe água no estado líquido correndo no planeta vermelho? Os pesquisadores já sabem que Marte foi um planeta por onde houve muita água, há milhões de anos, e que hoje há gelo nos polos, mas a questão da existência de água líquida no planeta nos dias atuais permanece por conta dos dados coletados pelos rovers e sondas que analisam o solo marciano.

Desde 2011, a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) tem registrado misteriosas fissuras escuras que aparecem durante as estações quentes. As marcas são similares às deixadas por fluxos aquosos descendentes, e que depois desaparecem quando o tempo esfria. Conhecidas como “inclinações lineares recorrentes”, essas faixas tornaram-se um dos assuntos mais relevantes na pesquisa marciana. Apesar de tais marcas serem conhecidas há alguns anos pelos cientistas, suas origens e causas ainda permanecem um mistério.

Recentemente, os cientistas descobriram que os fluxos contêm minerais como ferro. No entanto, tal constatação acaba sendo mais uma peça no quebra-cabeças do que um fator que ajude a solucionar a questão. Observações feitas pela sonda Viking, na década de 1970, registraram pela primeira vez o material escuro que aparece espontaneamente em encostas cobertas de poeira em Marte. Os cientistas concluíram, há alguns anos, que essas formações são resultados de pequenas avalanches em cascata decorridas por conta de crateras e terrenos íngremes.

Mas, em 2011, a MRO capturou imagens de algo completamente novo e diferente. Estrias semelhantes a dedos, finas, apareceram em regiões equatoriais de Marte, viajando centenas de metros e ramificando-se como se fossem pequenos rios. Ao contrário do material escuro registrado em outras ocasiões, que aparecia em qualquer época do ano marciano, essas novas formações só foram vistas em períodos mais quentes em Marte, em especial a primavera e o final do verão, desaparecendo no inverno.

As novas formações, de acordo com o Phys.org, tinham apenas alguns metros de diâmetro, enquanto as linhas escuras anteriores, que vinham das encostas, tinham, geralmente, de 20 a 200 metros de diâmetro. Os cientistas da NASA sugeriram que essas novas formações eram provenientes de água congelada no solo e que estava esquentando, fluindo encosta abaixo. Embora as temperaturas nas encostas mantenha-se abaixo do ponto de congelamento da água, a adição de salmouras poderia baixar o ponto o suficiente para transformar em líquido a água congelada.

Em suma, o que os pesquisadores estavam sugerindo era que o planeta vermelho estava “chorando lágrimas salgadas”. Mas quando os pesquisadores usaram a análise de espectrometria da MRO, eles não encontraram nenhuma evidência de água nas formações. Os cientistas, atualmente, não fazem ideia dos motivos que levam as formações serem vistas em cores misteriosamente escuras. Pode-se supor que elas são mais escuras do que o material circundante (o solo ao redor) porque eles estão úmidas.

Mas se elas não estiverem úmidas ou molhadas (algo, até agora, que a MRO não conseguiu comprovar), a sugestão é que os fluxos de água subterrânea estejam reorganizando os grãos de areia de Marte de uma maneira tal que faça com que eles se pareçam escuros. Ainda que seja esse o caso, não haveria explicação para a mudança de cor – ou desaparecimento – das formações quando o inverno chega em Marte.

A água salgada continua sendo a melhor possível explicação para as “inclinações lineares recorrentes”, embora os cientistas ainda não as tenham detectado. Como a MRO captura imagens durante o meio-dia marciano, é possível ainda que seu espectrômetro esteja perdendo a umidade do início da manhã, que acaba evaporando ao meio-dia.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.