Chip neural será capaz de enviar dados para outros aparelhos sem o uso de fios

Por Redação | 04 de Setembro de 2012 às 17h30

O corpo humano é capaz de se adaptar a diversas situações, ambientes, climas e também as novas tecnologias. Placas de titânio, polímeros e outros componentes já são utilizados em larga escala para ajudar pacientes a recuperarem movimentos e terem uma vida melhor.

Mas esses elementos já são considerados ultrapassados diante dos planos de um grupo de pesquisadores brasileiros, do Instituto de Física de São Carlos, da USP (Universidade de São Paulo). Os pesquisadores planejam criar um chip neural capaz de se comunicar com outros aparelhos sem o uso de cabos e conexões.

De acordo com o Inovação Tecnológica, a ideia dos cientistas é implantar um chip diretamente no cérebro do paciente que será capaz de enviar sinais do córtex motor para um dispositivo fora do corpo, tornando possível devolver o funcionamento aos membros paralisados.

Chip neural sem fio

O implante deverá ajudar pessoas a recuperaram os seus movimentos em casos de paralisia de membros

Equipamentos controlados pela mente já são utilizados em diversos campos de pesquisa, porém, para controlar um computador ou televisor usando apenas o pensamento, a pessoa precisa utilizar uma espécie de capacete. Entretanto, este mecanismo não é tão preciso.

O novo projeto planeja manter a mesma estrutura e utilização do chip neural usado nos capacetes, mas sem a necessidade de uma conexão (fios e conectores) entre o chip e o exterior. Esse sensor sem fio será capaz de ler os impulsos nervosos a partir de um neurônio e enviá-los para um equipamento externo por meio de ondas de rádio.

Para a fabricação do chip, os pesquisadores escolheram o carbeto de silício (SiC), que apresenta características semicondutoras, biocompatibilidade com o organismo dos seres humanos e é três vezes mais flexível e resistente do que seu primo, o silício. O chip ainda será equipado com uma antena, o que pode ser entendido como um 'Bluetooth cerebral', segundo a equipe de pesquisa.

E um dos desafios dos pesquisadores é encontrar uma solução sobre o consumo de energia que o chip neural sem fio exige, já que quanto maior a quantidade de eletrodos, melhor e mais precisos são os movimentos dos membros. No entanto, quanto maior o número de eletrodos, maior será o consumo de energia.

Para ter uma ideia, o uso de mil eletrodos é capaz de realizar todos os movimentos complexos de uma mão, com todas as articulações dos dedos se movimentando.

O projeto do chip neural está previsto para durar cinco anos, porém, os pesquisadores afirmam que a utilização de soluções com o chip ainda deve demorar para ser aplicada em pacientes.

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