Brasil iniciará construção de novo acelerador de partículas em 2013

Por Redação | 30.01.2013 às 10:30
photo_camera LNLS

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (28) que ainda neste ano começarão as obras de construção de um novo acelerador de elétrons da terceira geração no Laboratório Nacional Luz Síncrotron (LNLS), na cidade de Campinas, interior paulista. O Sirius, como é chamado, deverá atrair para o país pesquisadores internacionais e renomados. As informações são da Agência Fapesp.

Especialistas afirmam que o novo acelerador será capaz de emitir radiação com mais brilho e gerar melhores imagens do que o sistema da segunda geração. "Será uma facilidade aberta que atenderá às mais diversas áreas da ciência, desde medicina, biofísica, biotecnologia, biologia molecular e estrutural, até paleontologia, ciências dos materiais, agricultura e nanotecnologia. Se o equipamento estiver realmente no estado da arte, vai atrair pesquisadores de ponta de todo o mundo", afirmou Antônio José Roque da Silva, diretor do LNLS.

O acelerador de elétrons da segunda geração está em funcionamento no LNLS desde 1997. Atualmente, o laboratório é subordinado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e conta com 16 estações experimentais capazes de atender até 500 grupos de pesquisa ao ano. O síncrotron, o único da América Latina, emite radiações de alto nível com variações de frequência entre o infravermelho e o raio X, permitindo assim o estudo da estrutura atômica de diversos materiais.

Além de gerar mais brilho e intensidade de luz - o dobro do atual acelerador -, o Sirius também atingirá faixas de alcance maiores podendo estudar estruturas mais espessas graças à sua penetração em raios X duros, ou penúltimo espectro magnético. "Hoje, ao estudar as propriedades do aço, por exemplo, só é possível penetrar na camada mais superficial do material. Com o novo acelerador conseguiríamos atingir de fato o volume e aprender como os átomos estão organizados", explicou Roque da Silva.

No mês de julho, ficará pronto o projeto do novo acelerador, que passará para avaliação e somente depois, as obras poderão começar. A construção do Sirius está prevista para terminar em 2016 e deverá custar R$ 650 milhões, com a criação de 40 estações de experimentações - praticamente o triplo da capacidade atual do acelerador.