Brasil inicia projeto de clonagem de animais ameaçados de extinção

Por Redação | 08 de Novembro de 2012 às 12h05
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O desmatamento tornou a vida e sobrevivência de muitas espécies de animais da fauna brasileira impossível, fazendo com que muitos deles sejam ameaçados de extinção. No entanto, um projeto pioneiro no Brasil pretende clonar algumas espécies ameaçadas e evitar seu extermínio completo.

O Zoológico de Brasília, em parceria com a agência de pesquisa em agricultura brasileira EMBRAPA, está liderando o projeto de clonagem de espécies selvagens e já está em sua segunda etapa. A primeira parte do projeto envolveu a coleta de amostras de material genético, também conhecido como germoplasma, através de células sanguíneas, cordões umbilicais, esperma e células somáticas.

Ao todo, já foram coletadas mais de 420 amostras de material genético e oito espécies foram as escolhidas para fazer parte do projeto, incluindo o lobo-guará, a onça-pintada e o mico-leão-preto. Os animais selecionados estão classificados como alto risco de extinção no relatório compilado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade e da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Os pesquisadores coletaram as amostras ao longo dos dois últimos anos e outras espécies como cachorro-vinagre, quati, tamanduá colarinho, veado cinza e bison também estão catalogados no banco de germoplasma. Grande parte do material foi coletado a partir de animais mortos na região do cerrado.

"Na EMBRAPA, nós temos vacas clonadas. E o que nós queremos fazer agora na segunda fase é transmitir nosso conhecimento para os pesquisadores do zoológico para que eles realizem estudos e consigam colocar em prática as mesmas técnicas com animais selvagens", afirmou Carlos Frederico Martins, pesquisador da EMBRAPA.

A agência nacional de agricultura foi responsável pelo nascimento do primeiro animal clonado do Brasil em 2001, o bezerro Vitória, que viveu até 2011. E desde 2007, tramita no Senado uma nova legislação sobre pesquisa e prática de clonagem, já que as leis brasileiras não prevêm de forma clara as regras para essa ciência.

Martins ainda ressalta que a ideia do projeto não é usar os clones para serem liberados em seu habitat natural e, por enquanto, o zoológico irá usá-los para os seus próprios fins e a manutenção das espécies em cativeiro. Os animais clonados possuem exatamente a mesma carga genética de outros exemplares de sua espécie, o que não garante a diversidade ideal para que eles se reproduzam e sobrevivam na natureza.

"Se uma determinada espécie estiver em um estado de declínio drástico, em risco de extinção total, e for possível proporcionar um reforço, teremos a capacidade de soltar os clones na natureza", explicou Juciara Pelles, chefe de conservação e pesquisa do Zoológico de Brasília. "Ainda estamos na fase de desenvolvimento da tecnologia, por isso, ainda não sabemos se será possível resgatar uma população em estado selvagem, mas poderíamos torná-la viável novamente".

Os pesquisadores ainda aguardam autorizações de órgãos responsáveis para dar início à segunda fase do projeto, mas eles acreditam que dentro de um mês já poderão começar os processos necessários para a clonagem de animais selvagens.

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