A onda do Meteorito

Por Willians Bini

Existem situações que achamos que só acontecem em filmes de Hollywood. Eu mesmo sou bastante cético a inúmeras situações de exagero que vemos nas telas. Mas nesta última semana ficamos impressionados com as imagens de um meteorito cruzando os céus da Russia. Além das imagens, o impressionante foi o estrago feito por esse meteorito. Pouco se falou sobre como milhares de pessoas se feriram, além dos estragos em inúmeros prédios.
Antes de falar sobre os estragos, acho que vale a pena explicar as diferenças entre metoro, metoerito, asteroide, cometas etc.

As diferentes definições estão relacionadas não apenas ao tamanho do objeto presente no espaço, mas também sua órbita e o fato dele atingir ou não a superfície da Terra.

O que realmente temos que temer são os asteroides. Ele podem ter diâmetro de algumas centenas de metros e muito provavelmente foi um asteróide que provocou a extinção dos dinossauros. E não há a menor dúvida que se outro asteroide do mesmo porte que atingiu a Terra há 65 milhões de anos atingisse novamente, não restaria ninguém pra contar história. Simplesmente (ainda) não estamos preparados para resolver esse tipo de problema.

Temos também os meteoroides, que são pequenas pedras ou pedaços de metal que viajam pelo espaço. Quando esse meteoroide entra na atmosfera terrestre e provoca aqueles flashes de luz, temos então um meteoro. A grande maioria dos meteoros se desintegram na atmosfera, e dizem os cientistas que são milhares por dia. E, finalmente, se esse meteoro atinge a superfície da Terra, chamamos de meteorito, que foi o que provocou os estragos em terras russas.

Os cometas pertencem a outra categoria. São pedras de gelo que vagam pelo espaço e que quando se aproximam de uma estrela como o Sol, passam a emitir gases e poeira, o que deixa aquele visual tão conhecido por todos nós.

Agora que já sabemos os nomes de todos os corpos celestes, vamos discutir o que realmente aconteceu com o meteorito ao atingir a atmosfera terrestre. Foi assustador ouvir o som de uma explosão, e ver vidros sendo quebrados e pessoas sendo deslocadas no ar. Isso aconteceu devido a "onda de choque" provocada pelo meteorito.

Essa onda de choque ocorre quando algo atinge uma velocidade superior à do som, provocando distúrbios intensos na pressão, dependendo da velocidade atingida. Quanto maior, mais intenso serão esses distúrbios. Essa onda de choque tem inicio com o chamado “estrondo sônico”, que é o barulho de forte explosão que ocorre assim que a barreira do som é quebrada. Para os entusiastas da aviação, esse é um processo físico bastante comum, já que muitas aeronaves ultrapassam a barreira do som, seguido por um forte barulho.

Porém, a grande diferença é a ordem de grandeza entre um avião e um meteorito. Este último atinge velocidades bem superiores, e suas dimensões também fazem com que os distúrbios na atmosfera sejam mais devastadores.

E pra terminar, uma curiosidade. Uma onda de choque bastante comum para nós brasileiros, principalmente nessa época do ano, é o trovão. Quando uma descarga elétrica de grande intensidade corta a atmosfera na forma de um raio, provoca um aquecimento muito intenso que leva a uma expansão rápida do ar ao redor do raio. Como a velocidade da expansão excede a velocidade do som, ouvimos então o estrondo sônico na forma de um trovão.

Felizmente os distúrbios provocados por essa expansão se restringem ao som do trovão. Mas isso mostra que muitos efeitos físicos que desconhecemos e muitas vezes tememos estão presentes no nosso dia-a-dia, só que em escalas diferentes. Ainda bem.