A onda do Meteorito

Por Willians Bini | 18 de Fevereiro de 2013 às 11h20

Existem situações que achamos que só acontecem em filmes de Hollywood. Eu mesmo sou bastante cético a inúmeras situações de exagero que vemos nas telas. Mas nesta última semana ficamos impressionados com as imagens de um meteorito cruzando os céus da Russia. Além das imagens, o impressionante foi o estrago feito por esse meteorito. Pouco se falou sobre como milhares de pessoas se feriram, além dos estragos em inúmeros prédios.
Antes de falar sobre os estragos, acho que vale a pena explicar as diferenças entre metoro, metoerito, asteroide, cometas etc.

As diferentes definições estão relacionadas não apenas ao tamanho do objeto presente no espaço, mas também sua órbita e o fato dele atingir ou não a superfície da Terra.

O que realmente temos que temer são os asteroides. Ele podem ter diâmetro de algumas centenas de metros e muito provavelmente foi um asteróide que provocou a extinção dos dinossauros. E não há a menor dúvida que se outro asteroide do mesmo porte que atingiu a Terra há 65 milhões de anos atingisse novamente, não restaria ninguém pra contar história. Simplesmente (ainda) não estamos preparados para resolver esse tipo de problema.

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Temos também os meteoroides, que são pequenas pedras ou pedaços de metal que viajam pelo espaço. Quando esse meteoroide entra na atmosfera terrestre e provoca aqueles flashes de luz, temos então um meteoro. A grande maioria dos meteoros se desintegram na atmosfera, e dizem os cientistas que são milhares por dia. E, finalmente, se esse meteoro atinge a superfície da Terra, chamamos de meteorito, que foi o que provocou os estragos em terras russas.

Os cometas pertencem a outra categoria. São pedras de gelo que vagam pelo espaço e que quando se aproximam de uma estrela como o Sol, passam a emitir gases e poeira, o que deixa aquele visual tão conhecido por todos nós.

Agora que já sabemos os nomes de todos os corpos celestes, vamos discutir o que realmente aconteceu com o meteorito ao atingir a atmosfera terrestre. Foi assustador ouvir o som de uma explosão, e ver vidros sendo quebrados e pessoas sendo deslocadas no ar. Isso aconteceu devido a "onda de choque" provocada pelo meteorito.

Essa onda de choque ocorre quando algo atinge uma velocidade superior à do som, provocando distúrbios intensos na pressão, dependendo da velocidade atingida. Quanto maior, mais intenso serão esses distúrbios. Essa onda de choque tem inicio com o chamado “estrondo sônico”, que é o barulho de forte explosão que ocorre assim que a barreira do som é quebrada. Para os entusiastas da aviação, esse é um processo físico bastante comum, já que muitas aeronaves ultrapassam a barreira do som, seguido por um forte barulho.

Porém, a grande diferença é a ordem de grandeza entre um avião e um meteorito. Este último atinge velocidades bem superiores, e suas dimensões também fazem com que os distúrbios na atmosfera sejam mais devastadores.

E pra terminar, uma curiosidade. Uma onda de choque bastante comum para nós brasileiros, principalmente nessa época do ano, é o trovão. Quando uma descarga elétrica de grande intensidade corta a atmosfera na forma de um raio, provoca um aquecimento muito intenso que leva a uma expansão rápida do ar ao redor do raio. Como a velocidade da expansão excede a velocidade do som, ouvimos então o estrondo sônico na forma de um trovão.

Felizmente os distúrbios provocados por essa expansão se restringem ao som do trovão. Mas isso mostra que muitos efeitos físicos que desconhecemos e muitas vezes tememos estão presentes no nosso dia-a-dia, só que em escalas diferentes. Ainda bem.

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