Futuro da IoT vai depender de 'camaradagem' entre concorrentes, defende Qualcomm

Por Igor Lopes | 08 de Janeiro de 2016 às 18h03

*De Las Vegas, Nevada

Geladeiras inteligentes, máquinas de lavar inteligentes, drones, smartTV, smartwatches e smartbands: assim como nos últimos dois ou três anos, os dispositivos conectados dominaram a área de exposições da CES 2016 - parecem estar cada vez mais próximo de nossos cotidianos, casas e cidades. Mas apesar do número de inovações apresentadas por aqui, a impressão que temos é que, para o consumidor final, ainda falta alguma coisa: um bom motivo que justifique pegar todos esses gadgets da exposição e colocá-los para dentro da porta de nossas salas.

Alguns destes dispositivos já são populares, é claro: SmartTVs, por exemplo, já estão em mais da metade dos lares norte-americanos desde meados de 2015. Mas na avaliação do Diretor Senior para Internet das Coisas (IoT) da Qualcomm, Joseph Bousaba, o passo que ainda falta para que a tendência entre de vez no radar dos consumidores é um só: a interoperabilidade. Dispositivos conectados são interessantes, mas dispositivos conectados entre si, conversando e interagindo, isso sim é o que realmente ajudará a tornar a IoT uma realidade.

"Todos nós já temos ao menos um dispositivo conectado em casa, seja a TV, uma smart box, algum gadget no Wi-Fi, o que for. Mas eles não estão conectados, a inteligência ainda não está lá", opina Bousaba. "O que traz a inteligência é a interoperabilidade entre estes dispositivos, para que eles possam interagir e criar casos de uso interessantes o suficiente para estimular o consumidor".

Para Bousaba, no entanto, esse passo depende que algumas empresas do setor de tecnologia mudem sua mentalidade focada em criar ecossistemas conectados que excluem produtos de concorrentes e passem a focar na interoperabilidade total entre marcas. Isso daria ao consumidor a opção de escolher duas marcas diferentes de relógio inteligente e televisor inteligente, que ainda assim conversariam entre si, independentemente de plataforma.

Algumas empresas já estão de olho nisso, e cada ano parecem mais dispostas a abrirem seus ecossistemas. Na CES deste ano, por exemplo, nós vimos a própria Samsung anunciando que seus smartwatches Gear S2 passarão a ser conectáveis com o iOS. Outras empresas, no entanto - e aqui a agulhada principal vai em direção à Apple - continuam a praticar ecossistemas fechados, na avaliação do executivo.

"A não ser que tenhamos um nível grande de interoperabilidade acontecendo, o mercado vai ser limitado. Ninguém vai se beneficiar com isso", disse. "Como consumidor, eu não vou comprar dispositivos que não conversam entre si. Mas, uma vez que a interconectividade estiver lá, o mercado fica maior e todas as empresas terão mais oportunidades de fazer mais".

Há ainda uma segunda via para garantir que a conexão de dispositivos aconteça em um futuro próximo, que seria através de players neutros fornecerem plataformas centralizadas, capazes de conectar produtos de outras marcas em uma única interface de usuário simplificada. Várias empresas já estão atuando nesse setor, mas nenhuma solução de destaque surgiu no mercado até então - nesta CES, foi a vez da Panasonic tentar fazer um pitch de seu projeto, através da plataforma Ôra, que deverá ser lançada em um piloto ainda neste ano nos Estados Unidos.

Esse é um potencial mercado que a própria Qualcomm está interessada. Mesmo sem comercializar produtos para consumidores finais, a empresa já atua hoje por trás da cortina em muitas soluções domésticas de casas inteligentes: fornecendo soluções para os ecossistemas e conectando os dispositivos inteligentes domésticos aos gateways para prover capacidades fim a fim.

"Nós estamos de olho nisso, mas ainda não temos nada confirmado ou nenhuma data de referência. Mas estamos pensando em como solucionar esse problema, que vai ser uma das questões centrais desse mercado para os próximos cinco anos", avaliou.

*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da Qualcomm.

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