CES 2019 | Startup cria jogo em RV para passageiros de carros autônomos

Por Rafael Rodrigues da Silva | 07 de Janeiro de 2019 às 20h20
Sean O'Kane/The Verge

Durante a CES 2019 em Las Vegas, uma parceria entre Disney, Marvel, Audi e a startup Holoride tem mostrado o que podemos esperar do futuro dos serviços de transporte, principalmente com o início das operações com veículos autônomos.

A parceria entre as empresas resultou no desenvolvimento de Rocket’s Rescue Run, um jogo RV com personagens dos Guardiões da Galáxia feito especialmente para ser jogado dentro de um veículo. Criado em parceria com a Interactive Experiences (unidade responsável pela criação do duelo de sabres de luz em Star Wars: Jedi Challenges), o Rocket’s Rescue Run é um jogo de tiro no estilo rail shooter, que coloca o jogador em uma nave espacial onde é preciso ajudar o Rocket Racoon a destruir uns alienígenas e salvar o Homem-de-Ferro.

De acordo com um dos fundadores da Holoride, Nils Wollny, o jogo foi criado para oferecer uma alternativa para os usuários que não sabem o que fazer no tempo que passam dentro do carro durante uma viagem — e que deve se tornar ainda mais estranho quando as empresas de transporte começarem a operar com veículos autônomos, o que deixará o passageiro sozinho dentro do carro. Segundo Wollny, com o início das viagens de veículos autônomos, a experiência deste tipo de transporte irá mudar, e agradar o passageiro passará a ser o único foco da empresa — e, com isso, oferecer opções de entretenimento passará a ser um dos diferenciais para esse serviço.

Antes de se tornar uma startup, a Holoride iniciou seus trabalhos como uma divisão interna da Audi voltada para o desenvolvimento de sistemas de entretenimento para os carros do futuro. Agora como uma verdadeira startup (da qual a Audi possui algumas ações), a meta da empresa é criar entretenimento em RV para empresas de transporte de passageiros, e que utilize os próprios movimentos do carro para realçar a experiência.

A ideia é similar às já existentes com montanhas-russas e toboáguas, mas pretende utilizar os mesmos princípios dessas experiências de modo mais dinâmico. Assim, não apenas a sua nave dentro do jogo terá o movimento influenciado pelos movimentos do carro (toda mudança de faixa, frenagem, aceleração ou curva feita pelo veículo será replicada dentro do jogo), mas o próprio jogo terá mecânicas internas para prolongar ou encurtar a experiência de maneira natural, para que os passageiros possam ter o mesmo nível de diversão independente do tempo de sua viagem.

Para isso, o jogo utiliza as informações de mapa de rota do veículo, que será usado para criar a infraestrutura principal da fase. Mas o trânsito também possui outras variáveis imprevisíveis, como sinais vermelhos e congestionamento. Mas de acordo com Marcus Kuehne, outro dos fundadores da Holoride, isso não quer dizer que a ação do jogo irá parar nesses momentos. Algumas soluções usadas pelo game é, quando o veículo para, dentro da simulação a nave do jogador é atingida pelo raio paralisante de algum inimigo, ou então a nave quebra e ele é obrigado a consertá-la.

Outro motivo dos criadores apostarem nessa tecnologia é que ela pode, na teoria, ajudar a diminuir a motion sickness — aquele enjoo que algumas pessoas sentem ao andar de carro. Olhar para a tela do celular ou tentar ler um livro costuma agravar o problema, já que o cérebro entra em “parafuso” ao ser obrigado a prestar atenção em algo parado enquanto o resto do corpo envia sinais de que está se movimentando. Na teoria, participar do jogo deve diminuir esse tipo de problema para os passageiros que sofrem desse mal, já que como o jogo insere o jogador nos mesmos movimentos feitos pelo veículo, não há a possibilidade do cérebro se confundir com informações diferentes de movimento enviadas a ele.

Os fundadores da Holoride pretendem criar mais desses “conteúdos elásticos” (que se adaptam às diferentes experiências de viagem) não apenas com mais parcerias no setor de entretenimento mas também no mercado automotivo (já que o número de motoristas de Uber, Lyft e derivados que utilizam um Audi é bem baixo), um dos motivos pelos quais eles decidiram tornar o projeto em uma startup própria. E ainda que não seja a primeira a se preocupar com a criação de opções de entretenimento para veículos autônomos (Na CES 2018 a Byton mostrou uma SUV elétrica cheia de telas que permitiam acessar a internet enquanto viajava, enquanto em 2017 a Intel anunciou que estava desenvolvendo junto com a Warner Bros uma experiência baseada no Batmóvel), essa é a primeira que aposta que existirá uma demanda de experiências em RV para passageiros de carros autônomos nos próximos anos, e já se mostra pronta para suprimir essa demanda. E, se os headsets de realidade virtual continuarem diminuindo a cada ano e os usuários começarem a se acostumar com essa experiências, pode ser que a Holoride se torne a próxima grande startup do setor de transportes.

Fonte: The Verge

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