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CES 2019 | Startup acusa CES de machismo após prêmio de inovação ser revogado

Por Rafael Rodrigues da Silva | 08 de Janeiro de 2019 às 20h05

E a CES 2019 já tem a sua primeira polêmica: a Lora DiCarlo, uma startup de tecnologia voltada para o prazer sexual feminino, teve seu prêmio de inovação revogado pela organização da feira dias depois de serem premiados. De acordo com a empresa, um júri independente de experts concedeu a eles o prêmio de Inovação na categoria de Robôs e Drones, mas a decisão de revogar-lhes o prêmio foi totalmente da entidade organizadora da CES que, segundo uma postagem no site da empresa, tem se esforçado para não incluir mulheres em suas listas de inovadores.

De acordo com a CTA (Consumer Technology Association, entidade responsável pelo gerenciamento da feira e de suas premiações), o Osé (também conhecido como Vela), um dispositivo que imita a textura da boca, língua e dedos humanos para estimular ao mesmo tempo o ponto G e o clitóris feminino no intuito de facilitar orgasmos múltiplos, não se encaixa em nenhuma das categorias de produtos do evento, e por isso o prêmio de inovação que havia sido dado à startup precisou ser revogado. Além da revogação do prêmio, a CTA também proibiu que a startup apresentasse o produto na feira, alegando o mesmo motivo: não se encaixam em nenhuma categoria de produto existente.

O Osé, aparelho da Lora DiCarlo considerado pelo júri de experts como o mais inovador na categoria robótica da CES 2019 (Imagem: Lora Di Carlo)

Mas, como era de se esperar, a fundadora e CEO da startup não aceitou essa explicação. Em uma carta aberta que foi divulgada nesta terça-feira (8), Lora Haddock lembra que outros produtos sexuais, de empresas como B. Sensory e OhMiBod, ganharam prêmios das categorias de Produtos Fitness e de Saúde Digital em 2016. Além disso, DiCarlo lembra que a CES nunca proibiu a exibição de tecnologias voltadas para sexo na feira, citando uma produtora de vídeos pornôs em realidade virtual que se apresentou na feira em 2017, um robô criado para fazer sexo com com homens em 2018 e, mesmo na edição deste ano, o retorno da OhMiBod, que trouxe para o evento um novo vibrador por controle remoto, que permite que o parceiro controle a intensidade das vibrações durante o sexo.

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Para Haddock, existe um caso óbvio de “dois pesos, duas medidas” da administração do evento, que não vê problemas em dar espaço e premiar novas tecnologias criadas para práticas sexuais — desde que elas tenham sido criadas para garantir o prazer masculino. Ela ainda afirma que a mensagem passada pela CTA é de que nenhuma pesquisa voltada para as necessidades do corpo feminino pode ser considerada como algo inovador.

Na carta de rejeição enviada para a empresa (lembrando: carta de rejeição enviada depois que a empresa já havia recebido a confirmação de um prêmio por inovação), a CTA afirma que se reserva no direito de excluir da competição qualquer produto imoral, obsceno, indecente, profano ou que possa causar danos à imagem da CTA.

Sex toy da OhMiBod que ganhou o prêmio de inovação em Fitness & Saúde em 2016 (Imagem: OhMiBod)

Mas Haddock é contundente em sua defesa, e afirma que o produto só é imoral caso estejamos regressando cerca de cem anos no passado, quando qualquer coisa referente ao prazer e à saúde sexual feminina era considerado tabu. Ela afirma que não só esses dispositivos possuem venda liberada dentro dos Estados Unidos, como também que uma das maiores universidades públicas do país (A Universidade do Estado do Oregon) não teve nenhum problema em investir seus recursos para desenvolvê-lo. Ela também garante que o produto também não pode ser considerado “imoral”, pois é simplesmente um equipamento eletrônico que possui o formato necessário para efetuar sua função.

Já sobre a explicação de que o produto não se encaixa em nenhuma das categorias do evento, Haddock defende que isso não passa de má-vontade da organização, pois por ser um dispositivo hands free (que o usuário não precisa ficar segurando para funcionar) que precisou utilizar patentes em micro-robótica, soft-robótica, e engenharia mecânica para funções biométricas, tudo isso funcionando controlado por um software de IA, seu produto possui todos os requisitos para ser julgado dentro da categoria reservada para inovações em robótica.

Até o momento da publicação desta matéria, a CTA ainda não havia explicado por que os vibradores por controle remoto da OhMiBod foram permitidos de participar na CES 2019 e o Osé da Lora DiCarlo foi proibido de ser apresentado. Enquanto isso, a companhia — que já arrecadou mais de uma US$1 milhão em investimentos para a produção de seu produto — pretende lançá-lo no terceiro trimestre deste ano.

Fonte: TechCrunch

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