CES 2016: Além de produtos e gadgets, evento deve ver a chegada de mais serviços

Por Rafael Romer | 04.01.2016 às 12:17

Há quase 50 anos, uma coisa não muda: todo início de janeiro, a CES inaugura o oficialmente o calendário de eventos de tecnologia, com uma exposição que reúne centenas de empresas em Las Vegas para mostrar o que podemos esperar de novidades para os próximos meses.

Mas o fato de que isso nunca muda não significa que a CES é sempre a mesma. Muito pelo contrário: assim como a indústria de tecnologia e inovação, a feira se transformou muito desde suas primeiras edições e a cada ano traz novos conceitos de produtos, novas tecnologias e novas empresas — estreantes ou não no mercado —, mas sempre interessadas em ofertar tecnologia para o consumidor.

Uma das mudanças que deveremos ver com mais força na CES 2016 é a transformação de um evento focado quase exclusivamente em produtos, para uma presença cada vez maior de serviços agregados a esses produtos. "Essa é uma tendência natural, hoje quase tudo que é utilizado tem experiência de usuários muito mais ligada ao serviço do que tecnologia em si", comentou ao Canaltech o Diretor Executivo da consultoria de tecnologia Accenture, Adalberto Leidenfrost. "E isso será mais forte no futuro".

Essa não será uma mudança da noite para o dia, é claro, e nem significa que novos produtos e gadgets inovadores vão ficar do lado de fora da CES, mas algumas tendências dos últimos anos apontam para uma importância cada vez maior dos serviços dentro do setor de tech que deverá se refletir na feira.

Um dos motivos é o processo de desaceleração de vendas de dispositivos tradicionais, como PCs, e até de smartphones e tablets em alguns mercados, o que tem levado algumas empresas a diferenciarem seus produtos para o consumidor através da oferta de melhores serviços agregados.

Um dos exemplos disso deve ser o setor de dispositivos usáveis, que com a chegada da Apple e seu Apple Watch e o avanço de empresas como a FitBit no ano passado, ficam cada vez mais populares e onipresentes e permitirão a chegada de novos serviços ofertados pelas empresas para se diferenciarem dos concorrentes.

Os wearables também são exemplo de outra tendência que privilegia o avanço dos serviços: a aceleração das tecnologias que possibilitam coletar e alavancar o uso de dados. "As plataformas de analytics evoluiram muito nos últimos anos e agora possibilitam a criação de mais serviços customizados sobre os produtos utilizados, isso vem mudando o mercado".

Dois grandes exemplos dessa mudança está na participação do CEO do Netflix, Reed Hastings, e do Diretor de Negócios do YouTube, Robert Kyncl, como palestrantes principais do evento. Essa será a primeira vez que a Netflix fará uma Keynote dentro da CES, um espaço reservado para anúncios de peso no evento — rumores apontam que se trata da expansão da Netflix para a Índia —, o que mostra como o setor de serviços ganha mais protagonismo dentro da feira.

Além disso, o avanço da Internet das Coisas também deverá desempenhar um papel importante para essa migração da CES para o setor de serviços. Há alguns anos nós já vemos dispositivos inteligentes para casas conectadas no evento, mas conforme grandes players vão fazendo avanços para a conectividade e comunicação entre esses gadgets, o espaço vai se abrindo para outras empresas ofertarem serviços em cima destes dispositivos.

Uma das áreas com um espaço grande de posssibilidades, por exemplo, é a segurança dentro da IoT. Com um número maior de dados sigilosos trafegando por entre sensores e dispositivos, a preocupação dos usuários com questões como privacidade e segurança da informação abre um espaço de oportunidade para empresas que forneçam plataformas seguras para essa realidade.