Especial CES 2014: as melhores tecnologias apresentadas na feira

Por Redação | 13.01.2014 às 09:15
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Chegou ao fim na última sexta-feira (10) a edição de 2014 da maior feira de tecnologia do mundo, a Consumer Electronics Show (CES). Durante quatro dias, mais de 150 mil pessoas passaram pelo centro de convenções de Las Vegas, nos Estados Unidos, para acompanhar os principais lançamentos e tendências tecnológicas que vão fazer parte do nosso dia a dia nos próximos anos, como carros inteligentes, impressoras 3D que fabricam comida e computadores do tamanho de uma moeda.

O Canaltech acompanhou de perto vários desses produtos e agora elege algumas das principais novidades apresentadas no evento.

8. Tablets e Smartphones

O foco da CES 2014 foi a tecnologia 4K. Mas os tablets e celulares inteligentes também tiveram espaço na feira, que reuniu principalmente acessórios voltados para esses dispositivos móveis.

Um deles, e também um dos mais curiosos do evento, é um teclado físico em formato vertical no qual as teclas ficam posicionadas na parte traseira do gadget. O smartphone ou tablet é acoplado na parte frontal do aparelho – há espaço para dispositivos de até 7 polegadas – e nas laterais da parte da frente ficam os botões mais usados, como "Enter", "Tab", "Barra de Espaço" e "BackSpace", enquanto que as demais teclas ficam na parte de trás. O produto deve ser lançado ainda este ano por US$ 250.

Alguns modelos de smartphones também ganharam novidades. A Sony revelou uma versão compacta do Xperia Z1, mas com as mesmas funções do topo de linha, incluindo a câmera de 20,7 megapixels e resistência a água por até 30 minutos em 1,5 metro de profundidade. Já a LG anunciou que o G Flex, celular com tela curva que pode ser pressionado sem prejudicar o funcionamento do aparelho, que estará à venda nos Estados Unidos ainda este ano, enquanto a Lenovo apresentou o Horizon 2, um tablet gigante com tela de 27 polegadas.

O principal anúncio nesse segmento foi o novo processador da Nvidia para tablets e smartphones. Chamado Tegra K1, o chip promete levar para os dispositivos móveis os gráficos semelhantes de consoles de mesa, como o Xbox One e o PlayStation 4, sendo até mais potente que os videogames da geração anterior. São 192 núcleos de processamento capazes de renderizar vídeos com muito mais detalhes e com consumo de energia mais baixo que os processadores atuais. Ainda não há data de lançamento para o Tegra K1.

7. Carros inteligentes

Daqui alguns anos, você não vai precisar mais de GPS ou até mesmo do seu celular para acessar serviços conectados à internet, já que o próprio veículo terá um sistema dedicado para essas funções. E várias montadoras aproveitaram a CES para anunciar os primeiros protótipos dos carros do futuro que, entre outras características, poderão estacionar e transitar pelas ruas sem ajuda do motorista.

A BMW veio com uma linha de automóveis que, além de dispensarem o uso do condutor, também são capazes de controlar o veículo em alta velocidade e em manobras de risco – os famosos "drifts" (derrapagens). A companhia também mostrou o i3, seu primeiro carro elétrico de série com autonomia de 144 Km e velocidade máxima de 150 Km/h.

A Toyota levou para a feira um conceito inédito e sustentável: o FCV ("fuel cell vehicle"), um automóvel movido a células de hidrogênio que não emitem carbono, apenas vapor de água. O combustível é armazenado em dois tanques de alta pressão que são reabastecidos em três minutos e dão autonomia de até 500 Km sem precisar de uma nova recarga. Além do FCV, a empresa revelou o i-Road, um carro compacto de três rodas que comporta apenas uma pessoa.

Já a montadora alemã Audi apresentou o conceito Sport Quattro Laserlight. Como o próprio nome já diz, os faróis do veículo são, na verdade, lasers que geram mais luminosidade do que as lâmpadas de LED. Segundo a empresa, os faróis iluminam de duas a três vezes mais que as luzes comuns de um carro, podendo atingir até 500 metros de distância à frente.

6. Gadgets para a casa

Talvez estamos longe de uma casa futurista e 100% conectada como a do seriado Os Jetsons, mas é cada vez mais comum encontrar produtos que incorporam nossos dispositivos móveis, como tablets e celulares, aos eletrodomésticos da casa. E durante a CES não foi diferente.

O primeiro deles é um telescópio da empresa Celestron, que disse na feira querer investir em "astronomia para as massas". Sabendo que a maioria dos astrônomos amadores tem dificuldade em localizar corpos celestes que desejam observar, a companhia anunciou um telescópio Wi-Fi que pode identificar automaticamente mais de 120 mil objetos celestes. O aparelho se conecta com um aplicativo para smartphone, que por sua vez envia ao telescópio instruções dos movimentos que devem ser feitos para localizar diversos elementos espaciais, como crateras da Lua, anéis de Saturno e a grande mancha vermelha de Júpiter.

Outro acessório digno de ficção científica é o Scout. Fabricado pela Scanadu, o gadget lembra o famoso Tricorder da série Star Trek, capaz de medir sinais vitais – frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, oximetria, estresse emocional, respiração e até fazer um eletrocardiograma – apenas colocando o dispositivo em contato com a testa da pessoa. Os dados podem então ser enviados a um médico para que este receite o diagnóstico necessário para aquele paciente. Antes de chegar ao mercado, o Scout passará por um programa de testes monitorado pela FDA (departamento de saúde americana), com cerca de 10 mil voluntários.

Para quem enfrenta dificuldades na hora de dormir, a solução pode estar no Aura, um aparelho que monitora as condições de sono que enfrentamos todos os dias. Um sensor colocado debaixo do colchão coleta dados como ciclos de respiração, movimentos corporais e frequência cardíaca, enquanto outros sensores no ambiente captam informações sobre poluição sonora, temperatura e níveis de iluminação – um desses sensores externos ainda envia programas de luzes e sons cientificamente comprovados que ajudam o usuário a ter uma noite de sono melhor. O Aura chega às lojas até a metade do ano por US$ 300.

Ainda no quarto, foi apresentada uma cama de casal inteligente que, assim como o Aura, monitora dados do sono e faz recomendações sobre tempo, agitação ao dormir, frequência cardíaca e qualidade do colchão e as envia para o smartphone do usuário. O grande diferencial da Sleep Number X12 é que ela impede roncos ao deixar um dos lados da cama mais macio ou rígido sem interferir no sono de quem dorme ao lado. O produto, que ainda faz massagem e ilumina o ambiente com lâmpadas coloridas, será vendido por US$ 8 mil.

Já para aqueles que não dispensam um design contemporâneo na hora de comprar algum produto, a empresa LaCie, em parceria com a casa francesa de ourivesaria Christofle, lançou um HD externo em forma de esfera feito inteiro de aço polido. Ele tem apenas um cabo USB 3.0 na parte traseira e capacidade de armazenamento de 1 TB. O preço sugerido é de US$ 490.

Os robôs também ganharam destaque no evento em Las Vegas. Um ex-funcionário do Google apresentou o Keecker, uma máquina capaz de projetar vídeos e outros conteúdos de um tablet ou smartphone em uma parede ou no teto. Há também Bo e Yana, uma dupla de robôs que cabem na palma da mão e ensinam linguagem de programação a crianças, além do Robo-Thespian, que pode falar e gesticular com as mãos, e da Sen.se Mother, um robô em forma de boneca russa que ajuda a gerenciar várias atividades, como regar as plantas, escovar os dentes ou tomar remédios no horário correto.

No campo das invenções de segurança está o Eyelock Myris, um pequeno dispositivo capaz de mapear a íris do olho para liberar o acesso a diversos serviços, como e-mails, contas bancárias e outros programas que geralmente exigem senhas digitadas. Compatível com Windows 7 e 8, Mac OS X e Chrome OS, o acessório reconhece em menos de um segundo a retina do usuário cadastrado e, segundo a fabricante, as chances de alguém tentar acessar os arquivos protegidos é de 1 em 2,25 trilhões.

Mas o produto doméstico que mais chamou atenção pelos corredores da CES foi uma tigela inteligente criada pela Intel. Apesar de ainda ser um conceito, o acessório funciona como uma tigela comum, na qual você pode guardar suas chaves, moedas e outras coisas. A diferença é que ela não sirva só para isso, mas também para recarregar smartphones, smartwatches e qualquer outro gadget que caiba ali dentro. A tigela possui ressonância magnética para transmitir energia aos eletrônicos de carga.

5. Gadgets vestíveis

A ideia por trás do Google Glass se espalhou rapidamente por empresas do mundo todo e se tornou tendência: a tecnologia vestível. São óculos, pulseiras, relógios e periféricos corporais que nos mantêm ainda mais conectados aos tablets e smartphones. E a expectativa é que esse modelo de negócio cresca ainda mais em 2014 com alguns dos lançamentos apresentados na CES.

Depois de um ano meio conturbado, os smartwatches parecem ter finalmente encontrado mais utilidade na vida do usuário. Basicamente, quase todos os modelos acessam a internet através do Bluetooth dos smartphones e permitem ler mensagens e e-mails, visualizar notificações e atender a chamadas telefônicas. Alguns vão mais além e possuem funções de calendário, jogos e câmera fotográfica.

As pulseiras conectadas também foram sensação na feira e, assim como os relógios, também possuem quase as mesmas características. Elas principalmente monitoram informações ligadas a atividades físicas, como distância percorrida, calorias queimadas, batimentos cardíacos, contagem de passos, temperatura e duração do exercício. Empresas como Sony, LG, Epson e Razer devem lançar seus modelos ainda este ano.

A ideia mais futurista vem da startup Innovega. A companhia apresentou o iOptik, um protótipo de lentes de contato que prometem ampliar o alance de visão do olho humano ao mesmo tempo em que acessam a internet. Acopladas a um par de óculos, as lentes exibem em dois pequenos projetores imagens de aplicativos e outros conteúdos. De acordo com a fabricante, o sistema do iOptik é 20 vezes maior e tem seis vezes mais resolução que o Google Glass, dando a sensação de estar diante de um grande projetor de TV.

4. Softwares

Os hardwares dominam o palco das apresentações da CES. Mas dois serviços chamaram atenção na feira norte-americana: o webOS e o PlayStation Now.

O primeiro é um sistema operacional próprio para Smart TVs lançado pela Palm e adaptado pela LG. Mais intuitiva e menos confusa que os sistemas dos televisores atuais, a plataforma possui uma interface renovada e um novo menu controlado pelo movimento do cursor. Esse menu, que agora aparece na parte de baixo da tela, exibe os últimos aplicativos abertos pelo usuário, entre eles Netflix, Hulu Plus e YouTube, além de uma aba inédita chamada "Today", que recomenda programas, shows e outros conteúdos ainda não assistidos.

Já o PlayStation Now é o resultado do Gaikai, serviço de streaming na nuvem comprado pela Sony em 2012. Trata-se de uma plataforma online que permite jogar títulos antigos da empresa em uma série de dispositivos. Inicialmente, o programa funcionará com jogos de PS1, PS2 e PS3, sendo expandido para o PS Vita em algum momento deste ano – games do PS4 também devem ser incluídos no catálogo.

Para acessar a biblioteca de jogos, será preciso pagar por uma assinatura ou alugar games específicos separadamente, mas a Sony ainda não deu detalhes de como funcionará esse sistema. Com títulos como The Last of Us e God of War: Ascension, o PS Now entrará em fase de testes até o final de janeiro nos Estados Unidos e deve estar disponível para todos os usuários até a metade de 2014.

3. Computadores

A rápida adoção dos dispositivos móveis fez as vendas de PCs despencarem nos últimos anos. No entanto, a CES 2014 veio para provar que essas máquinas continuam as mesmas, só que, desta vez, bem menores que o convencional. Um exemplo é o Intel Edison, um mini-computador do tamanho de um cartão microSD. Apesar do tamanho, o chip possui um processador dual-core Quark SoC, conectividade Bluetooth 4.0 e Wi-Fi, uma loja de aplicativos integrada e roda uma versão modificada do Linux.

A utilização de um PC do tamanho do Edison são muitas. Durante o anúncio, a Intel demonstrou que um macacão de bebê equipado com o chip é capaz de medir os sinais vitais da criança, como batimentos cardíacos, respiração e se ela está dormindo bem. O mesmo conceito foi aplicado a uma mamadeira inteligente, que detecta quando o bebê está acordado para ser alimentado e quando o leite está na temperatura ideal.

Além do Edison, a Intel revelou um novo componente que estará embutido nos computadores de sete fabricantes (Asus, Acer, NEC, Dell, HP, Fujistsu e Lenovo). Trata-se do Real Sense, uma pequena placa do tamanho do dedo indicador que pode ser usada para reconhecer objetos em movimento com boa profundidade. Através da webcam do aparelho, o software pode reconhecer gestos e movimentos no rosto do usuário, destacar elementos em primeiro plano ou ainda alterar o fundo do ambiente.

Outro projeto anunciado na CES é o Christine, da Razer. Assim como o conceito do Phonebloks, usuários poderão plugar todos os componentes de um PC comum, como CPU, GPU, memória RAM e drives de disco óptico, sem a necessidade de chamar um técnico ou especialista para fazer a troca. Uma única torre modular serve como base para os blocos, que são automaticamente sincronizados ao sistema do gabinete principal. Além disso, o Projeto Christine tem isolamento de barulho e resfriamento líquido, o que possibilita que a máquina faça overclock de fábrica sem que os módulos percam a garantia.

Por fim, a Valve divulgou os primeiros protótipos de suas Steam Machines, aparelhos equipados com o sistema operacional SteamOS voltados para os games que prometem incomodar os consoles de nova geração da Nintendo, Sony e Microsoft. Até o momento, 13 fabricantes vão montar seus modelos com diferentes designs, configurações e valores para oferecer ao jogador um número maior de opções de hardware. A previsão de lançamento é para o segundo semestre deste ano e os preços variam entre US$ 500 e US$ 6 mil.

2. TVs 4K

Muita gente ainda se questiona sobre a necessidade de comprar uma televisão com muitas polegadas e bastante resolução. Mas se você ainda tinha dúvidas, a CES veio para confirmar o que as fabricantes já disseram no evento do ano passado: as TVs 4K prometem ser a grande sensação do mercado de televisores em 2014. Quem assiste a imagens em uma TV Ultra HD garante que não quer mais voltar para o Full HD, que tem quatro vezes menos resolução do que o 4K.

Além da quantidade de detalhes, os televisores 4K chamam atenção por outra tendência dessa indústria: seu tamanho. As maiores TVs de LED atuais possuem entre 55 e 60 polegadas, mas os aparelhos Ultra HD vão além, com média entre 70 e 85 polegadas. Durante o evento em Las Vegas, a Samsung revelou um modelo de 110 polegadas, e a Vizio mostrou um outro ainda maior, com 120. Isso sem contar que as montadoras se esforçam para trazer dispositivos cada vez mais finos e confortáveis aos olhos do espectador, já que algumas TVs agora são curvas e flexíveis – Samsung e LG, por exemplo, apresentaram televisores que podem se curvar ou ficar planos apenas com o toque de um botão.

É claro que os preços dessas TVs ainda não são muito atrativos, mas só agora algumas fabricantes começam a disponibilizar aparelhos mais baratos – um deles, da Polaroid, chegará aos Estados Unidos custando US$ 1 mil. No Brasil, os modelos podem variar entre R$ 13 mil (55 polegadas) e R$ 100 mil (85 polegadas). Fato é que os consumidores parecem adotar o Ultra HD mais do que o 3D, função que perdeu relevância nos últimos anos e quase não apareceu na CES. Além disso, é neste ano que os primeiros conteúdos voltados para o 4K devem aparecer com mais frequência, como é o caso dos seriados e filmes do catálogo da Netflix.

1. Realidade virtual

O Oculus Rift tem sido um dos produtos mais bem recebidos pela comunidade nos últimos meses. E seu conceito parece ter se estendido para outras companhias, que apresentaram novos protótipos de óculos de realidade virtual que devem aquecer a indústria nos próximos anos – especialmente o mercado de games.

A começar pela própria Oculus, que revelou um protótipo com potencial para substituir o Rift. Batizado de Crystal Cove, o dispositivo agora possui uma tela OLED de resolução 1080p (960 x 1080 pixels para cada olho) que reduz a latência e os borrões de imagem que ainda são presentes na versão anterior do aparelho. Além disso, o Crystal Cove é muito mais preciso porque vem equipado com vários pontos de infravermelho para definir a posição do jogador dentro do game, permitindo que o usuário movimente a cabeça e o corpo com mais precisão.

Assim como o novo projeto da Oculus, o HMZ-T3Q (sucessor do Personal 3D Viewer), da Sony, também é capaz de rastrear os movimentos da cabeça. A diferença é que, em vez de das imagens serem virtuais (como acontece no Rift), os novos óculos da japonesa colocam quem os veste também dentro de um ambiente real. É possível utilizar o acessório para ver filmes em alta definição do tablet, smartphone, TV e Blu-ray, além de jogar videogame. A sensação, segundo a Sony, é de estar assistindo a uma tela de cinema com incríveis 750 polegadas.

O Crystal Cove ainda está em fase inicial de desenvolvimento e, por isso, não há previsão de lançamento. Já o HMZ-T3Q já está à venda nos Estados Unidos por US$ 1 mil.

Em conjunto com os óculos de realidade virtual estão os periféricos PrioVR e Virtuix Omni. Através de sensores espalhados por um colete e em dois controles acoplados nas mãos do usuário, o PrioVR é uma espécie de exoesqueleto que coloca dentro do game os movimentos feitos pelo jogador. Em um jogo de tiro, por exemplo, você deve apontar os braços na direção correta e apertar os gatilhos para eliminar os inimigos.

O Virtuix Omni tem uma mecânica parecida com a do PrioVR. Em uma plataforma que lembra uma esteira, o usuário é preso por cintos em um semicírculo giratório na parte superior, enquanto que a parte inferior é responsável pela movimentação do jogador. É nessa parte inferior que são colocados sensores de movimento que são ativados por sapatos especiais que escorregam na superfície, para garantir que a pessoa corra e ande sem sair do lugar.