CES 2013: Chineses aproveitam feira para mostrar produtos ao mercado americano

Por Igor Lopes | 12.01.2013 às 14:20
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Se podemos apontar umas das marcas da CES 2013, certamente foi a presença de companhias chinesas no evento. Tradicionamente voltada para o mercado consumidor, em especial o mercado americano, a CES é a porta de entrada para as novas empresas asiáticas que querem mostrar seus portfólios para o mundo.

Companhias como a Hisense, Huawei, Haier, Lenovo e ZTE se aproveitam do destaque que a CES ganha na imprensa internacional para jogar seus melhores produtos e inovações na frente das câmeras. E mais: com a ausência de gigantes americanas, como Google, Apple, Microsoft e Amazon, o espaço para seus gadgets fica ainda maior.

Por todos os lados da feira, as chinesas marcavam presença. Elas trouxeram produtos para rivalizar com as grandes expositoras, como Sony, Samsung, Panasonic e Intel. Nada de "xing-ling": TVs OLED, 4K, 3D, SmartTVs com serviços como Netflix, tablets, smartphones e desktops — os produtos chineses vieram para mostrar que o país tem tanta capacidade de produção de tecnologia de ponta quanto sul-coreanos, japoneses ou americanos.

Grandes exemplos da vontade dos chineses de desembarcar no mercado americano foram os lançamentos de smartphones, que no ano passado foram a marca da CES. Com exceção do Xperia Z, da japonesa Sony, todos os modelos que chegaram com destaque à imprensa partiram da China.

O novo Ascend Mate, da Huawei, chamou a atenção por ser considerado o maior smarphone do mundo (ou o menor tablet), com 6,1 polegadas. O híbrido, ou “phablet”, não foi o único apresentado pela empresa, que também lançou o novo Ascend D2, de 5 polegadas e Android 4.1 que pretende concorrer com os consagrados iPhone 5 e Galaxy S III.

Na ZTE, o destaque ficou com o Grand S, o full HD mais fino do mundo, com apenas 6,9 mm de espessura e Android 4.1. A empresa reforçou também seus planos de lançar um smartphone com o futuro Firefox OS no mercado europeu ainda em 2013. Não foram dadas especificações sobre o produto, nem possível data de lançamento ou operadora, mas, com a iniciativa, a ZTE já começa a cercar o mercado americano, se aproximando pelas bordas.

Empresas mais conhecidas, como a Lenovo, tentaram trazer a inovação por outro lado. A companhia negou que vivemos em uma era “pós PC” e falou em uma era “PC Plus” para justificar o lançamento de seu novo IdeaCentre Horizon - parte PC, parte tablet e parte laptop -, com um display full HD de 27 polegadas e Windows 8. De novo, a ideia é trazer a inovação para as marcas chinesas. A Lenovo mostrou ainda o novo K900, um smartphone com processador Intel dual-core Atom Z2580 de 2Ghz, display de 5,5 polegadas Full HD, uma câmera de 13 MP e apenas 6,9 mm.

Os lançamentos focam em um dos principais problemas dos chineses nos EUA: a falta de conhecimento do consumidor sobre seus produtos e marcas. Com jogadas de marketing como “mais fino” e “maior”, as empresas tentam se aproximar desse público tentando mostrar a capacidade de inovação que tem. Do ponto de vista tecnológico, entretanto, os produtos lançados pela ZTE e Huawei, por exemplo, não trazem nenhuma grande novidade, exceto os superlativos. A prioridade é estabelecer o nome da empresa.

Outra grande barreira para algumas empresas chinesas é a forte resistência das autoridades americanas à entrada de seus produtos no país. Em outubro do ano passado, o comitê de inteligência do Legislativo americano chegou a recomendar que o país banisse produtos da Huawei e ZTE, por serem possíveis ameaças de segurança. A principal preocupação dos americanos é a suposta influência do governo chinês sob as empresas, que poderiam ser “espiãs” de mercado.

Mas o processo lentamente avança: até ano passado, empresas como a Huawei não tinham sequer um espaço grande, e este ano conquistou um gigante stand no Hall Sul. Já com a saída da Microsoft no ano passado, a Hisense assumiu a posição ocupada pela empresa de Steve Ballmer.