Uber e Alphabet podem resolver caso de roubo de tecnologia fora dos tribunais

Por Redação | 30.03.2017 às 11:17

Uma ação judicial que coloca Uber e Alphabet frente a frente devido a um suposto roubo de tecnologias confidenciais para carros autônomos pode ser resolvido de forma secreta e fora dos tribunais. Documentos registrados pela empresa de caronas pagas mostram que a Waymo, subsidiária que iniciou o processo, chegou a solicitar arbitração sobre o caso em outubro do ano passado.

A Uber já havia entrado com um pedido semelhante há algumas semanas, e registrou a solicitação da Waymo em documentos como forma de dar mais força à solicitação. O termo jurídico se refere a uma resolução da questão fora dos tribunais, de forma a proteger segredos e patentes, além de, claro, garantir um andamento mais rápido a toda a ação. A alternativa a isso é um longo e tortuoso processo judicial, que muitos analistas estão comparando à batalha entre Samsung e Apple sobre tecnologias relacionadas a seus principais smartphones de topo de linha.

No centro da questão está o engenheiro Anthony Levandowski, ex-funcionário da Waymo e atual empregado do Uber. Segundo a Alphabet, ao sair da companhia, ele teria levado consigo mais de 14 mil arquivos confidenciais que, agora, estariam sendo usados no desenvolvimento de sistemas de direção autônoma da rival.

Além de especificações sobre sistemas de detecção de luminosidade, obstáculos e o funcionamento geral de sensores de alcance e localização, Levandowski também estaria usando de sua experiência para contratar novos engenheiros para a Uber. A Alphabet, inclusive, levanta questionamentos sobre a compra da Otto, uma startup fundada pelo engenheiro após sua saída da Waymo, indicando que os segredos possuídos por ele podem ter sido um diferencial.

A Uber se defende das alegações afirmando que seu desenvolvimento de tecnologias de carros autônomos difere daquele que estava em andamento na Waymo, e que a contratação de ex-funcionários de empresas rivais – ainda mais após um processo de aquisição de startups – é um procedimento normal na indústria de tecnologia.

Entretanto, não é como se a Uber estivesse sendo totalmente clara com relação a tudo isso. O juiz responsável pelo caso, William Alsup, criticou a companhia e também sua rival nos tribunais, alegando que ambas estão atrasando o processo enquanto não se definem sobre o que, exatamente, é secreto ou não. Documentos registrados por ambas estão cheios de trechos suprimidos, o que dificultaria uma decisão caso ela siga as vias normais no sistema judiciário.

O argumento de Alsup, entretanto, pode ser justamente o motivo que pode levar a ação à arbitração. De acordo com o juiz, a corte de patentes é pública e tanto o povo quanto a imprensa merecem saber exatamente o que está acontecendo, uma vez que tais tecnologias são capazes de mudar a sociedade como a conhecemos. A Uber respondeu aos comentários afirmando que os trechos foram suprimidos após solicitação da Waymo, com a versão original dos documentos sendo completamente aberta.

As empresas têm audiência marcada para o dia 3 de maio, quando, inclusive, pode ser tomada uma decisão que impede a Uber de utilizar tecnologias envolvidas no processo até que a disputa seja resolvida. Além disso, ambas têm até essa data para criar nomes fantasia que definam tais elementos, de forma que eles possam ser citados de maneira mais fácil nos tribunais.

Fontes: Gadgets Now, TechCrunch