Tesla é processada por acidente fatal envolvendo piloto automático

Por Felipe Demartini | 02 de Agosto de 2019 às 10h39
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A família de Jeremy Beren Banner, morto em um acidente enquanto usava o sistema de direção autônoma de um Model 3, anunciou nesta semana a abertura de um processo contra a Tesla. Na ação, a empresa é acusada de ter corresponsabilidade no caso, com familiares pedindo uma indenização de US$ 15 mil.

O caso aconteceu em março, em Palm Beach. Banner ativou o recurso de piloto automático cerca de 10 segundos antes de colidir com um trator que cruzou a via pela transversal. O carro trafegava a 109 quilômetros por hora e teve o teto arrancado. O homem chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. Esta já é a quarta morte envolvendo o sistema de direção autônoma de um Tesla.

A ação movida pelos familiares da vítima está relacionada aos relatórios divulgados após o acidente. Em laudo liberado pela própria montadora está a informação de que as mãos do motorista foram retiradas do volante logo após a ativação do sistema; já a Organização Nacional de Segurança no Trânsito, do governo dos EUA, usa terminologia diferente, afirmando que, nos oito segundos anteriores à batida, não foi possível detectar o contato entre Banner e a direção.

Isso pode significar que ele largou o volante, sim, mas também que apenas não estava aplicando pressão suficiente sobre ele, com as mãos apenas repousadas. A informação não é suficiente, de acordo com o órgão de tráfego, para concluir que Banner estava distraído, com o relatório sendo uma das grandes bases do processo que agora é movido pela família dele contra a montadora. Por outro lado, pesa a favor o fato de o motorista não ter tentado desviar do trator, o que pode indicar que ele realmente não estava atento à via.

Ainda de acordo com o advogado dos familiares, a Tesla teria acesso aos vídeos das câmeras internas do carro, usados na investigação, mas que tais dados ainda não tinham sido compartilhados com os parentes da vítima. Apesar do anúncio do processo, feito nesta quinta-feira (1º), a ação ainda não foi registrada junto à justiça norte-americana, um comportamento estranho em um caso de um tipo que sempre gera atenção.

Enquanto isso, o relatório final da Organização Nacional de Segurança no Trânsito deve levar pelo menos um ano para ser concluído. A Tesla nega qualquer responsabilidade de sua tecnologia não apenas sobre este acidente, mas também todos os outros, afirmando que muitas vezes a “complacência de usuários inexperientes” leva a situações desse tipo. Essas, pelo menos, são as palavras do CEO Elon Musk.

O caso chama a atenção pela semelhança em relação a um dos primeiros e mais notórios acidentes fatais envolvendo um carro da Tesla. Em 2016, Joshua Brown, de 40 anos, morreu ao colidir com um trailer que invadiu uma autoestrada no estado americano da Flórida. Na época, os veículos usavam um sistema de direção autônoma diferente do atual (e menos seguro, segundo a montadora); ainda assim, investigações concluíram que ele estava assistindo a um filme no momento do acidente, contrariando todas as normas de segurança na utilização de tecnologias desse tipo.

Ainda assim, na ocasião, a autoridade de trânsito indicou que uma ausência de salvaguardas para evitar esse tipo de comportamento poderia ter evitado o acidente. A Tesla, apesar de isentada de responsabilidades, acabou por inserir o sistema de detecção das mãos ao volante que agora aparece no centro da questão relacionada a mais uma colisão.

Fonte: The Verge

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